Reunião entre Irã e países do Golfo é adiada, anuncia Omã
Omã anunciou o adiamento da reunião regional que ocorreria nesta segunda-feira (14) entre o Irã e países do Golfo para tratar do futuro do Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica afetada há meses pelas tensões entre Washington e Teerã. O anúncio foi feito pela agência oficial de notícias omanense, a ONA.
O encontro estava marcado para Salalah, no sul de Omã. A decisão de adiar, segundo a ONA, foi tomada "a fim de criar condições propícias para um diálogo construtivo".
O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr al-Busaidi, declarou no X que o país segue "comprometido com a promoção de um diálogo que contribua para a estabilidade e a cooperação duradoura em nossa região". Ele afirmou que o adiamento serve para "favorecer o consenso".
O que muda com o adiamento
O quadro diplomático que levou ao adiamento já vinha se desenhando antes do anúncio. Teerã havia divulgado a realização da reunião e informado que participariam países do Golfo, sem especificar quais, além do Iraque.
Nenhum país da região havia confirmado presença até o momento do anúncio. O Bahrein declarou que não enviaria representantes ao encontro.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse neste domingo ser indiferente à reunião. "É problema deles", comentou. No mês passado, o republicano ameaçou bombardear Omã caso o país interferisse no acordo com o Irã.
A leitura de quem acompanha a diplomacia regional é que o adiamento preserva a mediação omanense em vez de encerrá-la. Omã mantém canais abertos com Teerã e com Washington, posição que sustenta seu papel de intermediário em temas do Estreito de Ormuz.
Por que o Estreito de Ormuz concentra a negociação
O Estreito de Ormuz é o ponto central das tensões entre Washington e Teerã citadas pela fonte. A rota marítima vem sendo afetada há meses por esse cenário, o que explica a tentativa de reunir Irã e países do Golfo para discutir o futuro do trecho.
O adiamento, nesse contexto, funciona como sinal de que a mesa de negociação segue de pé, ainda que sem data confirmada. A ONA não informou nova data para o encontro.
A medida de política pública em discussão é justamente a retomada desse diálogo regional sob mediação de Omã, com o objetivo declarado de criar condições para um consenso sobre a navegação no Estreito.