Eventos

Reino Unido rejeita morte assistida em votação acirrada

ResumoO Parlamento do Reino Unido rejeitou, por 286 votos a 270, o projeto de lei que legalizaria a morte assistida na Inglaterra e no País de Gales. A votação ocorreu após quatro horas de debate, e o texto previa acesso ao procedimento para pacientes com expectativa de vida inferior a seis meses.

Após quatro horas de debate, deputados britânicos rejeitaram por 286 a 270 o projeto que legalizaria a morte assistida na Inglaterra e no País de Gales. O texto previa acesso a pacientes com expectativa de vida inferior a seis meses.

Vânia Drummond
Vânia Drummond Repórter de Cultura Mineira · 11 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Reino Unido rejeita morte assistida em votação acirrada

Os deputados britânicos rejeitaram nesta sexta-feira (11), após quatro horas de debates carregados de emoção, o projeto de lei que legalizaria a morte assistida na Inglaterra e no País de Gales. O placar foi apertado: 286 votos contra e 270 a favor. Com a decisão, o Reino Unido se distancia de países como Bélgica, Suíça, Uruguai e Canadá, que já aprovaram o direito à morte assistida.

O que o projeto previa

O texto permitiria o acesso à assistência médica para morrer a determinados pacientes com expectativa de vida inferior a seis meses. O pedido precisaria ser validado por dois médicos e por um comitê de especialistas. A pessoa em questão teria que ser capaz de administrar a substância letal em si mesma.

Para os partidários, a legalização permitiria que adultos em fase terminal pudessem pôr fim à própria vida com dignidade. Os detratores argumentam que a medida poderia exercer pressão sobre pessoas com deficiência e pessoas idosas.

O caminho até a rejeição

Em junho de 2025, a proposta havia sido aprovada pelos deputados em votação apertada, após intensos debates no país e no Parlamento. Em abril, porém, o texto teve que ser abandonado diante de um longo bloqueio na Câmara dos Lordes, a câmara alta não eleita. A proposta foi reapresentada em meados de junho por uma deputada trabalhista.

O primeiro-ministro Andy Burnham, que chegou a Downing Street em julho, havia indicado que não participaria da votação para não influenciar o debate.

Durante a discussão desta sexta, a deputada trabalhista Janet Daby explicou que mudou de opinião após as votações anteriores. Disse ter tido "pesadelos sobre a morte e o fato de morrer" depois de votar a favor do projeto. Lauren Edwards, também trabalhista e responsável por impulsionar a proposta, criticou o Parlamento por ter "deixado passar a sua oportunidade" e afirmou que a legislação atual é "simplesmente cruel demais e injusta para mantê-la como está".

Segundo pesquisa da YouGov de 7 de setembro, 41% dos britânicos são a favor da legalização e 28% são contra.

O que muda para quem depende da lei

Sem a aprovação, pacientes terminais na Inglaterra e no País de Gales seguem sem acesso legal à assistência médica para morrer. Quem busca o procedimento precisa recorrer a países que autorizam a prática, como a Suíça, onde em quase três décadas nove brasileiros recorreram à morte assistida.

// Leia também

Publicidade