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Guerra de ataques marca abertura da propaganda eleitoral

A largada da propaganda eleitoral no rádio e na televisão definiu as frentes de ataque das campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida pelo Palácio do Planalto. Enquanto o petista aposta em denúncias envolvendo o parlamentar, como o caso "Dark Horse" e o Banco Master, o candidato do PL mira as investigações que alcançam Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do petista, além da economia e da segurança pública.

Nas primeiras inserções exibidas nessa sexta-feira (28/8), a campanha de Lula colocou o Master no centro da ofensiva. Uma peça apresenta a imagem do senador em uma ficha policial e destaca episódios de sua trajetória, como o caso das rachadinhas e a relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Outro vídeo usa uma adaptação do jingle conhecido como Osmarzinho para explorar os pedidos de dinheiro feitos por Flávio a Vorcaro para, supostamente, financiar o filme "Dark Horse", sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A estratégia petista é desconstruir a tentativa de Flávio de se apresentar como uma versão mais moderada do bolsonarismo e associar a candidatura dele aos episódios de desgaste acumulados ao longo da carreira política. O movimento deve continuar no primeiro programa presidencial, que vai ao ar neste sábado (29/8), quando Lula terá cinco minutos e 31 segundos, o maior tempo entre os postulantes.

Do outro lado, Flávio terá quatro minutos e 20 segundos e também prepara ofensiva. A campanha do presidenciável escolheu economia e segurança pública como eixos para confrontar o governo. Parte das gravações foi feita em estabelecimentos comerciais, numa tentativa de relacionar o endividamento das famílias, o custo de vida e as dificuldades das empresas à condução econômica da gestão petista.

O candidato do PL também pretende explorar as investigações envolvendo Lulinha e Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de Gabinete do presidente. O filho do chefe do Executivo é alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) por possível tráfico de influência, mesma suspeita que paira sobre Marcola. A intenção é associar as apurações atuais a antigos escândalos dos governos do PT e recuperar o discurso anticorrupção que impulsionou o bolsonarismo em eleições anteriores.

Flávio também colocou no ar uma peça que tenta associar Lula ao chavismo, a partir do documentário sobre o presidente dirigido pelo norte-americano Oliver Stone, apresentado no Festival de Cannes há dois anos. O vídeo destaca a participação do venezuelano Maximilien Arvelaiz na produção e recupera empréstimos do BNDES à Venezuela durante os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro.

A expectativa é que os ataques se intensifiquem nos próximos dias, com cada campanha reforçando os temas que considera mais sensíveis para o eleitor. O desfecho da disputa, porém, dependerá de como o público recebe as mensagens e de quais assuntos dominarão o debate até o pleito.

Sérgio Tadeu Mafra
Repórter de Economia Regional
De Uberlândia, cobre economia do Triângulo e agronegócio mineiro com dado na mão e linguagem clara.
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