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Prédio ataque Gaza desaba e deixa 12 mortos

Um prédio de apartamentos de sete andares, atingido por bombardeios, desabou durante a madrugada desta quarta-feira (16) na Faixa de Gaza. Doze pessoas morreram, entre elas cinco crianças, e outras 14 ficaram feridas. Cerca de 100 pessoas podem estar presas sob os escombros.

Equipes de resgate da Defesa Civil palestina trabalham para encontrar sobreviventes entre os destroços. Segundo as autoridades, pelo menos 10 famílias viviam no prédio, e ainda há esperança de encontrar pessoas com vida.

Vídeos obtidos pela Reuters mostram socorristas tentando retirar duas pessoas debaixo de uma parede que desabou. Em outra gravação, o porta-voz da Defesa Civil de Gaza, Mahmoud Basal, aparece carregando uma menina enrolada em um lenço manchado de sangue.

Raed Al-Dahshan, diretor do serviço de Defesa Civil da Cidade de Gaza, afirmou que os socorristas ainda ouviam vozes sob os escombros.

"Continuamos ouvindo vozes debaixo dos escombros, então ainda há esperança de encontrar pessoas", disse Dahshan.

Alessandro Mrakic, chefe do escritório do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) em Gaza, afirmou que equipes de algumas agências da ONU participam das operações de resgate. Segundo ele, a falta de máquinas e equipamentos pesados dificulta o trabalho.

"A situação, como vocês podem ver, é trágica porque não temos os equipamentos e as máquinas necessários. Há pessoas cavando com as próprias mãos. Precisamos nos preparar para mais mortes", afirmou Mrakic.

Segundo ele, cerca de 400 prédios correm risco de desabar, especialmente com a aproximação do inverno.

Autoridades palestinas e da ONU atribuem a falta de equipamentos pesados às restrições impostas por Israel à entrada de materiais em Gaza. Israel afirma que as limitações têm como objetivo impedir que os equipamentos caiam nas mãos de grupos militantes.

A ofensiva de Israel em Gaza, iniciada após o ataque do Hamas contra Israel em outubro de 2023, gerou cerca de 61 milhões de toneladas de destroços e entulho, segundo a ONU. A organização estima que a remoção de todo esse material possa levar sete anos.

Dahshan pediu que os moradores se mantenham afastados de prédios danificados devido ao risco de novos desabamentos. Segundo o serviço local de resgate, cerca de 2 mil edifícios danificados continuam sendo habitados por famílias palestinas.

"A disponibilidade limitada de opções de abrigo obrigou os moradores a se mudarem para este prédio, acreditando que era seguro. No entanto, em determinado momento, ele desabou completamente, caindo tragicamente sobre as pessoas enquanto dormiam", afirmou Dahshan.

Nos últimos meses, muitas famílias disseram à Reuters que passaram a viver em prédios parcialmente danificados para se proteger do vento e das tempestades de chuva, além da falta de novas barracas para pessoas desabrigadas.

Um cessar-fogo apoiado pelos Estados Unidos, firmado em outubro de 2025, interrompeu os combates em larga escala em Gaza, mas não encerrou os ataques israelenses e houve pouco avanço nas negociações para uma paz permanente.

O Hamas acusa Israel de violar o acordo e de prejudicar os esforços para implementar o plano mais amplo do presidente dos EUA, Donald Trump, para encerrar o conflito em Gaza. A proposta inclui a retirada de Israel da Faixa de Gaza e o desarmamento do Hamas.

Israel afirma que o Hamas tem violado o acordo.

Mais de 1.300 palestinos, a maioria civis, foram mortos em Gaza desde o início do cessar-fogo, segundo autoridades de saúde do território. O Exército israelense afirma que quatro soldados israelenses foram mortos no mesmo período.

O Hamas não costuma divulgar informações sobre mortes entre seus combatentes.

Inácio Bicalho
Repórter de Interior e Agro
Do Norte de Minas, cobre o sertão mineiro, a seca, o pequeno produtor e as pautas que a capital ignora.
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