Uberlândia Esporte Clube: símbolos do time que decide a Série D
O Uberlândia Esporte Clube decide a Série D neste domingo, contra o ASA de Arapiraca, no Parque do Sabiá. Por trás do jogo, uma história centenária de símbolos preservados em livros, atas e na memória de quem acompanha o clube.
O Uberlândia Esporte Clube entra em campo neste domingo (13) para decidir a final da Série D do Campeonato Brasileiro contra o ASA de Arapiraca, no estádio Parque do Sabiá, em Uberlândia. Após vencer o primeiro jogo por 2 a 0, em Alagoas, o Verdão pode conquistar o título diante da torcida. A história e os símbolos que marcam o clube centenário estarão em evidência na partida.
O verde e o branco foram adotados ainda na fundação, quando o clube se chamava Uberabinha Sport Club, em 1º de novembro de 1922. A escolha está ligada ao contexto em que a equipe surgiu, na antiga Vila Operária, e à participação de fundadores ligados ao grupo político local conhecido como "Coiós", entre eles Agenor Bino e Gil Alves dos Santos, segundo o atual presidente do UEC, Jânio Cabral. Não há, porém, documentação oficial suficiente para determinar exatamente qual significado os fundadores pretendiam dar às duas cores.
Quando o Uberabinha Sport Club passou a se chamar Uberlândia Esporte Clube, em 1929, as cores permaneceram. O verde encontrou depois um companheiro quase inevitável: o periquito, ave comum nas árvores e nos céus de Uberlândia. O Periquitão é hoje o mascote oficial do clube. Segundo Jânio Cabral, a associação surgiu há algumas décadas e foi reforçada pela predominância da cor verde e pela presença dos periquitos na cidade. Na leitura atual do clube, a ave representa esperança e a vontade de voar alto, em direção aos títulos.
Apelidos que vieram dos trilhos
O "Furacão da Mogiana", ou "Furacão Verde da Mogiana", remete à antiga estrada de ferro que cortava a região e ligava o interior paulista a Catalão (GO), passando pelo Triângulo Mineiro. Como a linha férrea passava por Uberlândia, o clube passou a ser associado à Mogiana, e o verde vinha das cores do time. O apelido carregava a ideia de uma equipe capaz de atravessar cidades e superar adversários como uma força que chegava pelos trilhos.
O livro "Uberlândia Esporte Clube: A história e seus personagens", do escritor Odival Ferreira, registra ainda denominações como "Queridinho", "Periquito", "Periquitinho Verde", "Verdão" e "Dão". Alguns sobreviveram com mais força: o "Verdão" permanece ligado às cores, "Periquito" e "Periquitinho Verde" foram incorporados à identidade, e o "Periquitão" virou mascote oficial.
Escudo com inspiração paulista
O escudo do clube guarda semelhanças com o do Santos Futebol Clube. Segundo Jânio Cabral, o modelo tradicional adotado pelo Uberlândia foi inspirado no clube paulista, que já era referência do futebol brasileiro quando as equipes começavam a consolidar suas identidades visuais. A prática era comum nas primeiras décadas do futebol brasileiro. O resultado foi um escudo com personalidade própria: o verde e o branco no lugar das cores santistas.
A própria data de fundação carrega uma curiosidade. O clube nasceu no Dia de Todos os Santos, véspera de Finados, o que, segundo o autor, dificultava a escolha de um santo padroeiro. Décadas depois, em 1968, publicações relacionadas ao aniversário de 80 anos de Uberlândia registraram uma lista de nomes apontados como fundadores, entre eles Carlos Araújo, Alberto Marques da Silva, Hélvio Marques e Dário Luiz da Costa Filho. A documentação, porém, não é uniforme, e o próprio livro de Ferreira reproduz diferentes versões encontradas em registros históricos.
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