Opositores de data centers realizam 142 protestos em 42 estados dos EUA
Opositores de data centers realizaram 142 protestos em 42 estados dos EUA no sábado, no primeiro esforço nacional contra a expansão da infraestrutura de IA. O movimento, coordenado pela HumansFirst, reúne americanos de diferentes ideologias e já levanta questões sobre transparênc
Opositores de data centers realizam 142 protestos em 42 estados dos EUA
No sábado, opositores de data centers realizaram 142 protestos em 42 estados dos EUA, no primeiro esforço nacional para canalizar a raiva contra a expansão da infraestrutura de IA. O movimento, que agitou a política local no último ano, foi coordenado pela HumansFirst, cofundada por uma ex-líder do movimento Tea Party contemporâneo.
No sábado, opositores de data centers realizaram 142 protestos em 42 estados dos EUA, coordenados pela HumansFirst. Os manifestantes questionam a expansão 'sem prestação de contas' da infraestrutura de IA. Apenas 14% dos americanos apoiariam um data center em sua comunidade, segundo pesquisa Reuters/Ipsos. O Texas liderou com 18 protestos, seguido por Geórgia (11) e Califórnia (8).
Por que americanos estão protestando contra data centers
Os manifestantes protestaram contra o que a HumansFirst chama de expansão "sem prestação de contas" de data centers e "violação inaceitável de nossa liberdade". Em Fredericksburg, no estado de Virgínia, um jovem carregava uma placa com os dizeres: "Nós prosperamos com água, não com dados". Em Atlanta, um pequeno grupo de manifestantes empunhava cartazes com a frase: "A Geórgia nunca votou a favor de centros de dados de IA em hiperescala".
Chris Barron, presidente da Right Turn Strategies (responsável pelas relações com a imprensa da HumansFirst), não havia, de imediato, dados disponíveis sobre o número de manifestantes em nível nacional ou por cidade. A participação foi menor do que o esperado em algumas áreas rurais e grandes cidades como Atlanta, disseram organizadores locais à Reuters. Mas a HumansFirst elogiou os esforços dos ativistas comunitários. "Ficamos muito satisfeitos com a participação", disse Barron.
Um tema que une americanos de diferentes ideologias
A oposição aos data centers está entre os poucos temas que unem os americanos, independentemente de suas ideologias. De acordo com uma pesquisa Reuters/Ipsos de junho, apenas um terço dos americanos aprova o ritmo de construção de data centers nos EUA. Somente 14% dos entrevistados apoiariam a construção de um data center em sua comunidade para dar suporte a projetos de inteligência artificial de empresas de tecnologia como a Meta, Alphabet (dona do Google), Amazon, Microsoft e xAI (de Elon Musk).
"O setor de data centers continua trabalhando com legisladores, partes interessadas e moradores para garantir que os data centers fortaleçam, e não sobrecarreguem, as áreas onde operam - mitigando, ao mesmo tempo, quaisquer impactos negativos para residências e empresas", disse Josh Levi, presidente da Data Center Coalition, associação e grupo de lobby do setor.
O que os manifestantes reivindicam
Embora a cofundadora da HumansFirst, Amy Kremer, tenha comparado seus esforços atuais aos primeiros dias do movimento Tea Party em 2009, ela afirmou que a indignação contra os centros de dados não é partidária. "Eles simplesmente acordaram um dia e descobriram que teriam essa monstruosidade em sua comunidade, e não a querem", disse Kremer, que previu que os data centers serão uma questão determinante nas eleições de meio de mandato de novembro e na corrida presidencial de 2028.
Kremer criticou os republicanos por darem "carta branca" às grandes empresas de tecnologia. Mas ela e alguns organizadores também disseram que não apoiam políticas como moratórias para a aprovação de centros de dados, como a adotada pelo estado democrata de Nova York.
As reivindicações dos organizadores dos grupos envolvidos incluem transparência no processo de desenvolvimento, proteção dos recursos e da saúde ambiental, benefícios para a comunidade, como a criação de empregos bem remunerados e sindicalizados, e uma forma de responsabilizar os empreendedores caso não cumpram suas promessas.
Onde os protestos aconteceram
O Texas, reduto republicano e polo de desenvolvimento de data centers, sediou 18 protestos, o maior número entre todos os estados. A Geórgia, estado decisivo nas eleições, teve 11 manifestações. A Califórnia, de maioria democrata, teve oito, enquanto a Pensilvânia, também indecisa, e os estados da Flórida e Indiana, com tendência republicana, registraram sete cada.
O protesto de sábado em Atlanta, um dos vários semelhantes realizados neste mês, atraiu cerca de uma dúzia de participantes que viajaram de cidades menores da Geórgia, onde os maiores centros de dados estão sendo construídos, disse Jake Watts, de 26 anos, um voluntário no evento.
A questão da água e o impacto local
Ivan DelSol, de 54 anos e de tendência esquerdista, ajudou a liderar um protesto no condado de Imperial, no deserto da Califórnia, onde um projeto de centro de dados proposto poderia usar 260 milhões de galões (984 milhões de litros) de água por ano do rio Colorado. "É distópico usar tanta água doce para inteligência artificial", disse DelSol, que mais tarde acrescentou que cerca de 50 pessoas compareceram, apesar das temperaturas terem ultrapassado os 38ºC.
Embora a água seja frequentemente citada como uma das principais preocupações públicas, especialmente em regiões com escassez hídrica, o setor de data centers afirma que seu consumo de água não é tão significativo quanto o de outros setores.
Em Tyler, no Texas, Eva Cardona, de 31 anos, ativista estreante e autodenominada "nômade política", organizou um protesto que também atraiu cerca de uma dúzia de pessoas. "Tenho ouvido falar sobre IA não regulamentada e o rápido crescimento dela estava me alarmando. Eu queria fazer algo mais prático do que apenas uma postagem padrão no Facebook", disse Cardona.
O que isso significa para o Brasil
Para as famílias brasileiras, o movimento nos EUA acende um alerta sobre como a expansão de data centers pode afetar contas de luz, acesso à água em regiões secas e a regulação local. No Brasil, o consumo de água por data centers ainda não é monitorado de forma centralizada, mas especialistas apontam que, com a chegada de grandes projetos de IA, o debate sobre transparência e impacto ambiental deve crescer.
Se você mora em uma região onde um data center está sendo planejado, vale ficar atento às audiências públicas e exigir informações sobre consumo de recursos. A informação de saúde e ambiental precisa ser checada antes de qualquer decisão.
Perguntas Frequentes
Quantos protestos contra data centers ocorreram nos EUA?
Foram 142 protestos em 42 estados, coordenados pela HumansFirst no sábado.
Quem liderou os protestos?
A HumansFirst, cofundada por Amy Kremer, ex-líder do movimento Tea Party contemporâneo.
O que os manifestantes reivindicam?
Transparência no desenvolvimento, proteção ambiental e de recursos, empregos sindicalizados e responsabilização das empresas.
Qual estado teve mais protestos?
O Texas, com 18 manifestações.
Os data centers consomem muita água?
Sim, um projeto na Califórnia pode usar 984 milhões de litros de água por ano, mas o setor afirma que o consumo não é tão significativo quanto o de outros setores.
Como isso afeta o Brasil?
O movimento pode inspirar debates sobre regulação, consumo de água e energia em comunidades brasileiras que recebem grandes projetos de tecnologia.