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Natashha Maria lança EP Pitanga, reencontro com a essência

A cantora e compositora Natashha Maria, cria de Três Pontas, no Sul de Minas, lança nesta terça-feira (8/9) o EP Pitanga. Com mais de 20 anos de atuação na cena independente, ela define o trabalho como o reencontro com a própria essência artística. O disco traz cinco faixas: Bom demais, Chega mais e Recado, parcerias com Thales Mendonça, além de Pitanga e Pro meu amor que vai chegar, assinadas por ela. O EP está disponível nas plataformas digitais.

A trajetória de Natashha começou cedo. A estreia fonográfica ocorreu com o EP Tempo (2004), quando tinha 19 anos e concluía a formação no Conservatório Heitor Villa-Lobos, em Três Pontas, onde nasceu. Depois de se mudar para São Paulo, conseguiu emplacar Embalo em rádios e no Top 10 da MTV. Antes do primeiro disco, entregou uma demo de voz e violão a Milton Nascimento, que visitava a cidade onde foi criado. "Bituca saiu comigo, entrou no carro e o vi colocando o CD para tocar", recorda. Um mês depois, a produção de Milton a convidou para cantar em Pietá, álbum lançado por ele em 2002. Ela voltou a ser convocada para ...E a gente sonhando (2010), que reuniu vários artistas três-pontanos. Naquele ano, saiu o segundo CD, Girassol. Depois vieram Coração passarinho (2017) e Baile da saudade (2022).

Foi após esse último trabalho que ela sentiu a necessidade de se moldar ao mercado, mas o resultado a incomodou. "Fiquei meio mal com os rumos que tomei, achei que precisava me resgatar, voltar à minha essência. Aí veio Pitanga, um aceno para a minha infância", diz. O título faz referência à pitangueira do quintal da casa de sua avó. Ela entende o EP como um trabalho sobre escuta, memória, brasilidade, afeto e tempo.

As referências musicais brotam da memória afetiva. Natashha cresceu ouvindo Gal, Caetano, Fagner e outros artistas da mesma geração na vitrola de sua tia. "Ficava com a fita cassete no gravador esperando tocar no rádio a música que eu gostava. É desse reencontro que Pitanga trata. Voltei para o violão de nylon, a coisa da brasilidade, para o que eu gostava de ouvir, sem me importar se o mercado se interessa ou não", afirma.

Sobretudo pela psicodelia e a canção popular dos anos 1970, Pitanga passeia por diversos gêneros. Violões, metais, teclas, bateria e elementos dos arranjos foram pensados para criar ambiência semelhante à das gravações analógicas da época. "Busquei muita inspiração em Mutantes e Novos Baianos, mas também nos artistas representantes da soul music brasileira, como Tim Maia e Tony Tornado. A música Pro meu amor que vai chegar tem como referência Bethânia e Gal", ressalta.

As canções se ancoram na história de vida dela. A primeira, Bom demais, tem referências da lambada, por causa das lembranças de Beto Barbosa na casa da avó. Recado é uma marchinha melancólica, que remete aos carnavais da infância. Chega mais vai para o lado da psicodelia, com muito sintetizador, reflexo do gosto por Mutantes e Rita Lee. Atravessando essas referências está, naturalmente, o Clube da Esquina. "Três Pontas é o berço. E eu, claro, bebi muito disso aqui", diz. música mineira

Para Natashha, ser de Três Pontas atravessa a maneira como entende a música. "Cresci em uma cidade onde a música faz parte da memória afetiva das pessoas, onde Milton Nascimento e Wagner Tiso não são meras referências distantes, eles fazem parte da história do lugar onde crescemos", destaca. clube da esquina

O EP Pitanga é um convite para quem quer ouvir uma artista que volta ao próprio quintal, sem pressa de agradar o mercado. Dá o play e deixa a memória guiar.

Vânia Drummond
Repórter de Cultura Mineira
De Ouro Preto, cobre cultura e patrimônio de Minas, do barroco ao festival de inverno com olhar afetivo.
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