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Mostra 1,2 na Dança volta a BH após dez anos com foco feminino

ResumoA Mostra 1,2 na Dança retorna a Belo Horizonte após dez anos, entre 6 e 9 de agosto, no Teatro Marília. A retomada do projeto apresenta eixo curatorial focado no feminino, com programação gratuita. A edição reúne espetáculos e atividades que destacam a produção coreográfica de mulheres.

Depois de uma década fora do circuito, a Mostra 1,2 na Dança está de volta a Belo Horizonte. Entre 6 e 9 de agosto, o Teatro Marília recebe a retomada do projeto com eixo curatorial voltado ao feminino e programação gratuita.

Vânia Drummond
Vânia Drummond Repórter de Cultura Mineira · 03 de agosto de 2026 · 5 min de leitura
Mostra 1,2 na Dança volta a BH após dez anos com foco feminino

Mostra 1,2 na Dança retorna a BH após dez anos com protagonismo feminino no Teatro Marília

Depois de uma década fora do circuito, a Mostra 1,2 na Dança está de volta a Belo Horizonte. Entre os dias 6 e 9 de agosto (quinta a domingo), o Teatro Marília recebe a retomada do projeto criado em 2004 para incentivar a produção e a circulação de solos e duos de dança contemporânea. Nesta edição, intitulada "O Feminino na Dança", a programação reúne exclusivamente trabalhos interpretados por mulheres, em uma proposta que alia memória, representatividade e reflexão sobre o futuro da dança no país.

O que esperar da edição 2026 da mostra de dança em BH

A volta da mostra acontece dez anos após sua última edição, realizada em 2016, e marca duas estreias simbólicas. Pela primeira vez, o evento adota um eixo curatorial voltado ao feminino na dança e passa a ocupar o Teatro Marília, sede do Centro de Referência da Dança de Belo Horizonte (CRDançaBH).

Idealizadora da mostra ao lado de Wagner Tameirão, a produtora e pesquisadora Jacqueline de Castro afirma que o retorno ocorre em um momento de transformações para o setor. "O 1,2 na Dança retorna em um momento em que o próprio formato dos festivais de dança no Brasil precisa ser discutido à luz das novas condições de produção, circulação e permanência artística", destaca Tameirão.

Por que solos e duos voltaram ao centro da cena

A origem da mostra está ligada justamente aos desafios estruturais enfrentados pela dança contemporânea. Criado como resposta às dificuldades de circulação de grandes companhias, o projeto apostou nos formatos de solo e duo não apenas como alternativa logística, mas como uma escolha estética.

"Com menos corpos em cena, cada gesto fica mais exposto, cada decisão coreográfica ganha peso e a relação entre presença, risco e precisão se torna ainda mais evidente", observa Jacqueline, que iniciou sua trajetória no Transforma Centro de Dança Contemporânea, integrou o Grupo de Dança 1º Ato e também idealizou o Festival Horizontes Urbanos.

A edição de 2026 combina dois movimentos: homenageia artistas que ajudaram a construir a história da mostra e abre espaço para novos trabalhos selecionados por convocatória pública.

Quem são as artistas convidadas e selecionadas

Entre as convidadas estão Aline Corrêa, Cibele Maia, Maria Alice Poppe e Rosa Antuña, artista com trajetória internacional e passagem pela companhia da coreógrafa alemã Pina Bausch, que apresentará uma nova criação.

A convocatória recebeu inscrições de diferentes regiões do país, com propostas vindas de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Rio Grande do Sul. Foram selecionadas Flavi Lopes (BH), Isabela Guerra e Mariana Chalfum (BH), Maria Emilia Gomes (São Paulo) e Maria Fernanda Figueiró (Campo Grande).

Curadoria e o olhar sobre a história da dança

A curadoria é assinada por Laura de Castro, Marise Dinis, Merry Couto e Wagner Tameirão. Segundo Laura, reunir artistas que participaram das primeiras edições permite revisitar a trajetória da dança contemporânea brasileira sob uma perspectiva de continuidade.

"Quando o projeto começou, havia um desejo de trazer para Belo Horizonte artistas e grupos que dificilmente encontravam condições de circulação na cidade. O solo e o duo surgiram como uma possibilidade concreta, mas logo se mostraram também como um campo de linguagem. Hoje, voltar com o 1,2 na Dança é olhar para essa história e para o que ainda precisa ser sustentado", afirma.

Mesa de debate sobre o futuro dos festivais

Além das apresentações, a mostra amplia a discussão sobre as políticas para a dança. No dia 8 de agosto, às 17h, será realizada a mesa "E os festivais de dança no Brasil? Atualizações e urgências para construção de um novo tempo", reunindo artistas, produtoras e agentes culturais para discutir a redução dos festivais, os novos modelos de financiamento e os desafios da circulação de obras no país.

A proposta é transformar o evento em um espaço de reflexão sobre o cenário contemporâneo da dança. Mais do que apresentar espetáculos, a mostra busca provocar um debate sobre quais estruturas ainda sustentam a produção artística e quais políticas públicas serão necessárias para garantir a continuidade da criação e da circulação da dança contemporânea brasileira.

Programação completa da Mostra 1,2 na Dança

Confira os espetáculos que ocupam o Teatro Marília entre 6 e 9 de agosto:

  • Bestiário: Cibele Maia (BH)
  • Celeste: Maria Alice Poppe (RJ)
  • Eco, Oco, Preso no Peito: Maria Emilia Gomes (SP)
  • Ensaio para as Almas: Flavi Lopes (BH)
  • A Dança da Mulher-Árvore: Rosa Antuña (BH)
  • Quem a Mim Nomeou o Mundo?: Maria Fernanda Figueiró (MS)
  • Resistência: Aline Corrêa (RJ)
  • Choráspitanga: Isabela Guerra e Mariana Chalfum (BH)

No dia 8 de agosto, às 17h, acontece a mesa de debate. Às 20h, sobe ao palco "Quem a Mim Nomeou o Mundo?", com Maria Fernanda Figueiró.

Como assistir: ingressos gratuitos e localização

A mostra acontece no Teatro Marília, na Avenida Professor Alfredo Balena, 586, Santa Efigênia. Os ingressos são gratuitos, com retirada pelo Sympla ou na bilheteria do teatro, duas horas antes de cada espetáculo.

Perguntas Frequentes

A Mostra 1,2 na Dança é gratuita?

Sim, todos os espetáculos têm entrada gratuita. Os ingressos podem ser retirados pelo Sympla ou na bilheteria do Teatro Marília, duas horas antes de cada apresentação.

Onde fica o Teatro Marília?

O Teatro Marília fica na Avenida Professor Alfredo Balena, 586, no bairro Santa Efigênia, em Belo Horizonte. É a sede do Centro de Referência da Dança de Belo Horizonte (CRDançaBH).

Quais artistas participam da edição 2026?

Entre as convidadas estão Aline Corrêa, Cibele Maia, Maria Alice Poppe e Rosa Antuña. Também participam as selecionadas por convocatória: Flavi Lopes, Isabela Guerra, Mariana Chalfum, Maria Emilia Gomes e Maria Fernanda Figueiró.

A mostra discute políticas públicas para a dança?

Sim, no dia 8 de agosto, às 17h, será realizada a mesa "E os festivais de dança no Brasil? Atualizações e urgências para construção de um novo tempo", que debate financiamento e circulação de obras no país.

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