IA no mercado digital: menos custos e mais tempo
Hotmart Fire 2026 reuniu mais de 10 mil participantes em Belo Horizonte e apresentou o Launchpad, produto que cria softwares a partir de um prompt. Especialistas apontam queda de custos e ganho de tempo com IA.
No campo de batalha do mercado digital, quem vende precisa escolher bem a arma para disputar a internet e as redes sociais. A inteligência artificial acelerou a entrada de novos vendedores num ambiente já saturado de conteúdo. Mas especialistas avisam: não basta usar chatbots e prompts de qualquer jeito. É preciso conhecimento para aplicar as melhores estratégias.
Entre os dias 10 e 12 de setembro, Belo Horizonte foi palco do maior encontro de marketing digital da América Latina, promovido anualmente pela startup brasileira Hotmart, no Expominas. O evento reuniu 140 palestrantes e mais de 10 mil participantes e apresentou novidades de um mercado em crescimento. Entre as tendências para a IA, apareceram a criação de softwares, a personalização de conteúdos e o uso de resumos feitos com a tecnologia.
A promessa dos desenvolvedores é clara: serviços cada vez mais fáceis de usar e menos tempo gasto em tarefas diárias, como montar planilhas, elaborar cronogramas e até produzir conteúdo totalmente com a IA. A Hotmart apresentou o Launchpad, que, na explicação do fundador e CEO João Pedro Resende, seria um "produto para criar produtos". A ideia é capacitar usuários a desenvolver softwares a partir de uma frase usada como prompt. O sistema transcreve o código e entrega um sistema pronto, ajustável até o cliente ficar satisfeito. Dá para criar sites de vendas, aplicativos para web e jogos interativos.
"Com um botão você publica, e ele está disponível. Com outro, se você quiser, você passa a vender ele. Define o preço, fala: 'É uma assinatura, é um pagamento único, e aquilo está no ar para ser vendido no mundo inteiro'. Então, a gente encurtou muito o caminho entre você imaginar uma coisa, um produto digital, um software e você transformar isso num negócio", disse Resende.
Em junho, o desenvolvedor de produtos com IA Marcos Sei lançou uma empresa com objetivo de ser "AI first", priorizando o uso da IA em todos os trabalhos do cliente. "É uma empresa onde a gente muda o modo de trabalho das pessoas, onde as pessoas param de acessar sistemas em botões e executar o trabalho manualmente e elas começam a ter agentes que fazem isso para elas", explica o fundador da Sphere AI. Para ele, os brasileiros ainda estão com um "pé atrás" em produtos que entregam soluções com IA. "A gente está em um momento onde todo mundo tem um pé atrás ainda. Então é uma mudança de mentalidade que as pessoas precisam. Acho que esse é o principal desafio do mercado hoje", acrescenta.
Para o publicitário e especialista em IA Paulo Aguiar, o desafio de quem começa está no excesso de opções. Com milhares de ferramentas, tentar acompanhar todas faz o usuário perder de vista o que importa: entender o problema e saber como comunicá-lo à máquina. "A verdadeira ferramenta com a qual você trabalha na inteligência artificial não é o software, é o seu vocabulário. A máquina é apenas uma caixa de diálogo, a qualidade do que sai dela depende exclusivamente da clareza com que você expressa o que precisa", afirma. O ganho mais evidente é o tempo: tarefas repetitivas podem ser automatizadas, enquanto análise, criatividade e decisão seguem dependendo do humano.
O empresário Ícaro de Carvalho, fundador da escola O Novo Mercado, avalia que a IA não representa o fim do mercado digital, mas mais uma transformação num setor que já passou por vários ciclos. "O mercado muda, mas ele sempre cresce", resume.
A redução de custos também aparece. O CTO d'O Novo Mercado, Hericles Bezerra, conta que a empresa lançou uma IA em um serviço de disparo de e-mails e mensagens para oferecer produto mais barato que os tradicionais. "Se a gente fosse comparar com outras plataformas, a gente sairia de um custo de R$ 10 mil a R$ 70 mil por mês para um custo de R$ 100 a R$ 200 por mês com a mesma quantidade de disparos, contatos e tudo mais", afirma Bezerra, que concorda com Resende sobre o futuro baseado em softwares, mas reforça a personalização como diferencial.