Memória Empresarial: Sete Lagoas e frases de para-choque
Em julho de 1993, Sete Lagoas virou palco de uma disputa que uniu humor, estrada e cultura: o Concurso Nacional de Frases de Pára-Choque de Caminhão. A edição 84 do Jornal Sete Dias, que circulou entre 23 e 29 daquele mês, contou a história. A ideia partiu da Secretaria Municipal de Cultura, na época comandada por Francisco Timóteo, e nasceu como homenagem ao Dia de São Cristóvão, padroeiro dos motoristas.
O que começou como uma ação local rapidamente ganhou dimensão nacional. Em apenas 28 dias, o concurso já tinha se espalhado para além das fronteiras da cidade. Para quem vive no interior de Minas, a cena é familiar: a traseira de um caminhão carregando uma frase de efeito, muitas vezes de duplo sentido, é parte da paisagem das estradas.
Eu, que cresci vendo esses dizeres pintados à mão, sei que eles carregam mais que humor. São um retrato do jeito de pensar do motorista de longa distância, um registro de época que poucos museus guardam. Iniciativas como a de Sete Lagoas, em 1993, ajudaram a valorizar essa expressão popular antes que ela virasse memória.
A matéria do Jornal Sete Dias não só registrou o fato, mas também mostrou como uma secretaria municipal pode transformar uma tradição em evento de alcance nacional. memória empresarial em Sete Lagoas O concurso de frases de para-choque é um capítulo dessa história.
Hoje, quem dirige pelo interior ainda encontra frases novas, mas a prática perdeu força. O registro de 1993 fica como prova de que Sete Lagoas, naquele ano, esteve à frente, celebrando São Cristóvão e o trabalhador da estrada com criatividade.
A expectativa de quem acompanha a memória da cidade é que novos concursos resgatem essa tradição. Afinal, a frase de para-choque é patrimônio cultural do Brasil rural, e Sete Lagoas soube reconhecê-la cedo.