Kim Jong-un: irmã critica AIEA e Coreia condena defesa
A Coreia do Norte voltou a fechar a porta para a desnuclearização nesta quinta-feira (17), em duas frentes simultâneas. Em comunicado divulgado pela agência estatal KCNA, Kim Yo Jong, irmã de Kim Jong Un, classificou o status nuclear do país como absoluto e irreversível, descartando os apelos internacionais feitos durante a reunião anual da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) como um ruído anual.
O que mudou nesta quinta-feira
- Kim Yo Jong rejeitou os apelos da AIEA e disse que a posição nuclear de Pyongyang está estabelecida física e legalmente.
- O vice-ministro da Defesa, Kim Kang Il, declarou em Pequim que o status de Estado com armas nucleares é irreversível e prometeu expandir o arsenal.
- Um porta-voz do Ministério da Defesa já havia acusado, na quarta-feira (16), EUA e Coreia do Sul de intensificar o confronto militar com exercícios e planejamento conjunto.
Kim Kang Il discursou no Fórum Xiangshan, principal conferência de segurança internacional da China, e atribuiu as tensões na Península Coreana ao que chamou de política hostil imutável de Washington. Segundo ele, o reforço militar liderado pelos EUA e a cooperação trilateral com Seul e Tóquio justificam a ampliação da dissuasão nuclear norte-coreana.
"O incessante reforço de armamentos nucleares por parte dos Estados inimigos justifica plenamente a construção de um sólido escudo nuclear da RPDC", afirmou, usando a sigla do nome oficial do país, República Popular Democrática da Coreia. Ele chamou o status nuclear constitucional de ponto sem retorno e pediu que outros países abandonem o que classificou como devaneio da desnuclearização.
A fala ocorreu no mesmo dia em que um porta-voz do Ministério da Defesa norte-coreano alertou que as discussões entre EUA e Coreia do Sul sobre resposta a armas de destruição em massa equivalem a uma declaração aberta de confronto, e que tais ações podem levar Pyongyang a invocar dispositivos de sua lei sobre política de força nuclear.
Para Lim Eul-chul, professor do Instituto de Estudos do Extremo Oriente da Universidade Kyungnam, em Seul, os pronunciamentos fazem parte de uma campanha mais ampla de comunicação da capital norte-coreana. Segundo ele, o objetivo é consolidar a alegação de que o status nuclear atingiu estágio irreversível e, ao mesmo tempo, criar justificativas para futuras atividades militares em resposta ao que o país descreve como pressão crescente de EUA e Coreia do Sul.
Do lado americano, o ex-representante especial dos EUA para a Coreia do Norte, Stephen Biegun, disse durante a conferência West Coast Exchange, do Korea Risk Group, que a resposta contida de Pyongyang às alegações de Trump sobre comunicações com Kim Jong Un sugere que o país não está fechando a porta para negociações. Biegun afirmou que não seria surpresa se Trump propusesse um encontro após a cúpula da APEC na China, em novembro, e que a reunião poderia ocorrer até em Pyongyang. Questionado sobre a possibilidade, o líder norte-coreano disse não estar em condições de discutir se tal cúpula poderia ocorrer.