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Gusttavo Lima: de 8 pessoas em Barretos a embaixador

O cantor Gusttavo Lima foi ovacionado na arena da Festa do Peão de Barretos 2026 em seu retorno ao palco do rodeio. Na madrugada deste domingo (30), ele lembrou que, na primeira vez em que se apresentou no evento, em 2008, tocou para apenas oito pessoas. A declaração foi dada em entrevista coletiva antes de subir ao palco pela segunda vez nesta edição como embaixador.

"Meu primeiro show aqui em Barretos tinha oito pessoas na frente do palco. [...] Mas foi realmente um espaço que eu precisava. Aí em 2010 já foi no Berrantão, em 2011 já foi na arena e, de lá para cá, vocês sabem."

A apresentação desta madrugada encerrou a programação de shows em Barretos e foi planejada como uma viagem pela trajetória do cantor. O repertório incluiu canções lado A, lado B e "lado C", desde o começo da carreira, como "Rosas, Versos e Vinhos" e "Inventor dos Amores". "A gente vai pegar todo esse repertório desses quase 20 anos de carreira e vamos tentar dar uma passada geral para poder realmente cantar as músicas que fizeram parte da vida dessas pessoas."

De 8 pessoas à arena lotada

Em 2017, Gusttavo amanheceu no palco da arena. No ano seguinte, foi escolhido embaixador pela primeira vez e gravou em Barretos o DVD "O Embaixador". Ele conta que, apesar do sucesso já alcançado, o título mudou sua carreira: "Até ali, em 2015, 2016, a gente já tinha experimentado sucesso, viajado pelo mundo todo, mas, quando veio o título de embaixador de Barretos, tudo mudou na minha vida." Em 2026, ele ocupa o posto pela terceira vez e foi escalado para os dois sábados da programação no Estádio de Rodeios.

"Barretos sempre foi uma situação muito longe da minha realidade. Eu nunca imaginei na minha vida que eu viria a Barretos, nem a passeio, quem dirá cantando. A gente não tinha condição, não tinha condição nem de sair da roça."

A roça e a ficha que não cai

Gusttavo relembrou a infância na roça, quando "praticamente não tinha o que comer". Aos 12 ou 13 anos, saiu de casa em busca do sonho de ser cantor e de mudar a realidade dos pais. "O meu maior sonho era poder realmente dar uma vida melhor para ela [a mãe], porque a vida na roça não era fácil." A mãe enfrentava problemas cardíacos e usou marca-passo durante 27 anos.

Mesmo após quase duas décadas de sucesso, ele admite que "tem dias que a ficha ainda não caiu" e prefere que continue assim: "Quanto mais a gente é grato pelo que tem, mais a gente sabe o valor que as coisas têm."

A rotina e o medo de enjoar

Gusttavo também revelou que já pensou em diminuir o ritmo: "Eu já pensei várias vezes em dar uma sossegada, dar uma parada, porque já são tantos anos. São 25 anos dedicados à música." A rotina de viagens e noites sem dormir cobra um preço, mas a reação do público é o combustível. "Não dá para parar, a gente tem que continuar cantando porque é maior do que a gente." Ele brincou: "Eu estou agora é com medo do povo enjoar de mim, sabe?"

A relação com Barretos, segundo ele, é comparável à de um grande festival: "Barretos é como se fosse o nosso grande Rock in Rio do sertanejo." A apresentação desta madrugada fechou os shows da edição e consolidou a trajetória de quem começou diante de oito pessoas e hoje domina a arena.

Cláudia Resende
Repórter de Saúde e Educação
De Juiz de Fora, cobre saúde pública e educação em MG com foco no que afeta a família mineira.
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