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Grupo Girino estreia solo sobre lenda amazônica

ResumoO Grupo Girino celebra 20 anos com a estreia do solo Matinta, espetáculo inspirado na lenda amazônica da mulher que vira coruja. Iasmin Marques comanda a montagem nos dias 17 e 18 de setembro, no Teatro Marília, em Belo Horizonte.

O Grupo Girino celebra 20 anos com a estreia do solo 'Matinta', inspirado na lenda amazônica da mulher que vira coruja. Iasmin Marques comanda o espetáculo nos dias 17 e 18 de setembro, no Teatro Marília, em BH.

Inácio Bicalho
Inácio Bicalho Repórter de Interior e Agro · 17 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
Grupo Girino estreia solo sobre lenda amazônica

Um aniversário duplo comemorado no palco. Nesta quinta-feira (17/9), o Teatro Marília, em Belo Horizonte, recebe a estreia do solo "Matinta", inspirado na lenda folclórica amazônica sobre uma mulher idosa capaz de se transformar em animais e percorrer as vizinhanças acordando os moradores. Quem comanda a cena é a atriz Iasmin Marques, que completa 17 anos como integrante do Grupo Girino, uma das mais antigas da companhia. O coletivo, por sua vez, celebra 20 anos de trajetória.

O espetáculo tem direção e dramaturgia de Tiago Almeida e integra a "Mostra Girino", que também apresenta a montagem "Mamulenga". As sessões acontecem nesta quinta (17/9) e sexta, às 20h, no Teatro Marília (Avenida Professor Alfredo Balena, 586, Santa Efigênia). Os ingressos estão à venda pela plataforma Sympla, por R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia).

A pesquisa para o novo trabalho começou em 2023, quando o grupo participou de uma residência artística na França, no Instituto Internacional da Marionete, em Charleville. O rascunho foi desenvolvido durante as atividades na organização. "Para nós era extremamente importante levar narrativas brasileiras para fora, difundir nossa cultura. Pensamos nessa linguagem mais visual, que pudesse comunicar com diferentes públicos e territórios", explica Iasmin Marques. A construção visual é tão central na montagem que o texto se reduz a poucas falas.

Assinado por Tim Santos, foi desenvolvido um boneco híbrido, que funciona acoplado ao corpo do ator, com medidas baseadas nas de seres humanos. Conforme a atriz, é como se ela e o boneco se tornassem um só. "A minha mão é uma, enquanto a do boneco é outra. Então tem um pouco dessa ilusão, do que é boneco e o que é atriz, por conta dessa composição. Acontece também com os pés, com o tronco, com a cabeça."

Para a atriz, é um solo em que ela não está sozinha, mas acompanhada do boneco. Por isso, a dinâmica de movimentação em cena é importante, assim como diferentes composições e formas. No entanto, grande parte do espetáculo acontece com ele acoplado a ela.

Como figura central, Matinta leva a tradição amazônica para a cena e propõe reflexão sobre memória e preservação ambiental. Existem várias versões da lenda contadas culturalmente. No espetáculo, porém, seguem o mito no qual Matinta se transforma em uma coruja suindara, típica da Amazônia. "A partir dessas referências, traçamos pontos da personalidade daquela personagem, que vamos trazendo ao longo das cenas com jogos entre boneco e atuação", diz Iasmin Marques.

"É importante levar partes dessa brasilidade presente no mito, podemos conhecer um pouco mais com esse objetivo de difundir nossa cultura, de levar essas informações e conteúdos para diferentes públicos. Tivemos a oportunidade de fazer uma pré-estreia para estudantes e foi muito interessante ouvir, também, o público e ver esse intercâmbio cultural."

O grupo também destaca o papel do coletivo como espaço de criação contínua. "O grupo é um lugar de pesquisa contínua, porque ele oferece espaço para que a gente siga se encontrando, pensando, trazendo ideias para projetos, e podendo materializar isso. É um lugar de muita resistência, muita busca e de muitos desafios que encontramos para que essas produções sejam contínuas. Para a gente é importante celebrar onde chegamos até hoje, e também tudo que ainda está por vir."

Teatro Marília Mostra Girino

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