# 37º Festival de Música Colonial Brasileira homenageia Joaquina Lapinha em Juiz de Fora

> O 37º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga homenageia Joaquina Lapinha, primeira cantora lírica brasileira a se apresentar na Europa. A programação gratuita ocorre em Juiz de Fora de 24 de julho a 1º de agosto, com concertos no Cine-Theatro Central e Teatro.

*Portal Notícias MG · Eventos · 24 de julho de 2026 · Vânia Drummond*

O 37º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga homenageia Joaquina Lapinha, primeira cantora lírica brasileira a se apresentar na Europa, com programação gratuita em Juiz de Fora de 24 de julho a 1º de agosto. Concertos no Cine-Theatro Central, Teatro 

## 37º Festival de Música Colonial Brasileira homenageia Joaquina Lapinha em Juiz de Fora

O 37º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga homenageia Joaquina Lapinha, primeira grande cantora lírica brasileira a se apresentar na Europa, cujo falecimento completa 200 anos em 2026. Realizado gratuitamente em Juiz de Fora de 24 de julho a 1º de agosto, reúne nomes como Orquestra USP Filarmônica, Trio Madeira Brasil, Camerata Lieto e Conjunto Atempo em espaços como Cine-Theatro Central e Teatro Paschoal Carlos Magno.

## Joaquina Lapinha: trajetória de pioneirismo e resistência

Joaquina Lapinha foi a primeira mulher negra a subir ao palco do Teatro de São Carlos de Lisboa, ainda no século 18. Natural de Minas Gerais, construiu carreira relevante em um mundo marcado pela escravidão, racismo e restrições às mulheres. Diferentemente de muitos artistas de seu tempo, recusou o uso da maquiagem branca então comum nos palcos, afirmando publicamente sua identidade afrodescendente.

Cantou na Ópera Nova, ao lado do Paço na atual Praça XV, e no Real Teatro de São João, inaugurado em 1813, que ocupava o espaço onde hoje se encontra o Teatro João Caetano, na Praça Tiradentes. Em Lisboa, foi uma das três primeiras mulheres contratadas pelo Real Teatro de São Carlos, recém-inaugurado, as outras duas eram italianas.

## Programação gratuita em espaços históricos de Juiz de Fora

A abertura no Teatro Paschoal Carlos Magno fica por conta do Quinteto Macam, formado pelo pianista Miguel Rossellini com chefes de naipes da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, apresentando quintetos de Mozart e Beethoven.

No Cine-Theatro Central, a soprano mineira Núbia Eunice se junta à Metamorphosis Cia. de Arte Barroca para homenagear Lapinha com óperas de Giovanni Paisiello, Marcos Portugal e José Maurício Nunes Garcia, padre e compositor do Brasil colônia que enfrentou racismo e barreiras legais por ser negro e filho de escravos alforriados até ser nomeado mestre de capela da Igreja de Nossa Senhora do Carmo da antiga Sé do Rio de Janeiro.

## Música medieval, barroca e popular no mesmo festival

O Conjunto Atempo apresenta "Quattrocento" no Cine-Theatro, transportando o público ao século 15 com instrumentos como órgão portativo, flauta transversal, flauta doce, galubé, tambor, carrilhão, gaita de foles, clavicímbalo medieval e sino de mão, além do canto. O grupo conta com um dos mais numerosos e ricos instrumentários do Brasil.

A Camerata Lieto, na Capela Sagrada Família, propõe "Afetos barrocos", um arco dramático em três atos que reflete as contradições da alma humana na corte do Rei Sol. Também se apresenta o Trio Madeira Brasil, consagrado internacionalmente, com refinadas expressões da música instrumental brasileira.

## Dupla sul-mato-grossense e concerto de encerramento

Maria Claudia Mendes e Marcos Mendes se apresentam pela primeira vez em Juiz de Fora, no formato Palco Central do Cine-Theatro. Embora identificados com a música sul-mato-grossense, a dupla não nasceu em Campo Grande, mas construiu ali carreira e vida pessoal. O encontro profissional ocorreu em um show de Alzira Espíndola (hoje Alzira E) no Teatro Glauce Rocha, no Rio de Janeiro.

O encerramento, em 1º de agosto (sábado), às 19h, no Cine-Theatro Central, traz a Orquestra USP Filarmônica regida pelo maestro Lucas Galon. Os solistas Marcus Medeiros (piano), Maria Claudia Mendes (canto) e Tamara Pereira (soprano) se revezam acompanhados por 40 músicos. O programa celebra a música popular brasileira de Sivuca, Chico Buarque e Vicente de Paula Medeiros com obras de Johann Christian Bach, Joseph Haydn e árias de Händel, Stölzel e Pergolesi.

## Parceria artística e diálogo entre tradições

Gabriel Casara e Rosiane Lemos apresentam no Teatro Paschoal Carlos Magno um diálogo entre tradições europeias e rítmica brasileira por meio de danças e retratos sonoros para piano a quatro mãos. A parceria começou há 20 anos, quando Rosiane foi a primeira mentora de Gabriel na música de câmara.

O violinista italiano Emmanuele Baldini e o pianista brasileiro André Mehmari propõem "Conversas com Bach" no Cine-Theatro, passeando por obras do compositor alemão e composições contemporâneas de Mehmari que dialogam com o barroco.

## Perguntas Frequentes

### O festival é gratuito?

Sim, toda a programação do 37º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga é gratuita.

### Quais espaços recebem o festival?

Os concertos ocorrem no Cine-Theatro Central, Teatro Paschoal Carlos Magno e Capela Sagrada Família, no Colégio Academia, em Juiz de Fora.

### Quem foi Joaquina Lapinha?

Foi a primeira grande cantora lírica brasileira a se apresentar profissionalmente na Europa e a primeira mulher negra a subir ao palco do Teatro de São Carlos de Lisboa, no século 18.

### Quando termina o festival?

O festival encerra em 1º de agosto de 2026, com concerto da Orquestra USP Filarmônica às 19h no Cine-Theatro Central.

### O festival tem música popular?

Sim, inclui a dupla Maria Claudia Mendes e Marcos Mendes, o Trio Madeira Brasil e, no encerramento, obras de Sivuca, Chico Buarque e Vicente de Paula Medeiros.

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Fonte (canonical): https://portalnoticiasmg.com.br/eventos/festival-internacional-musica-colonial-brasileira-musica-antiga-atravessa-seculo/
