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EUA queriam dissidentes na eleição, diz jornal

ResumoO governo dos Estados Unidos entregou ao chanceler Mauro Vieira, em Washington, documento que pedia participação de dissidentes políticos nas eleições brasileiras de 2026, compra de aviões da Boeing e preferência em minerais críticos. O Itamaraty rejeitou os termos e declarou que a proposta nasceu morta.

Documento entregue ao chanceler Mauro Vieira em Washington pedia participação de 'dissidentes políticos' nas eleições de 2026, compra de aviões da Boeing e preferência em minerais críticos. Itamaraty rejeitou os termos e diz que a proposta 'nasceu morta'.

Cláudia Resende
Cláudia Resende Repórter de Saúde e Educação · 17 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
EUA queriam dissidentes na eleição, diz jornal

O governo brasileiro recebeu, em 16 de outubro do ano passado, uma proposta de negociação comercial dos Estados Unidos com pontos que iam além de tarifas. O texto pedia garantia de participação de "dissidentes políticos" nas eleições de 2026, exigia compra de aeronaves da Boeing por empresas aéreas brasileiras e reivindicava direito de preferência na aquisição de jazidas de minerais críticos.

A proposta chegou ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, quando ele estava em Washington para preparar um encontro com o secretário de Estado, Marco Rubio, e com o chefe do USTR, Jamieson Greer. O conteúdo foi revelado pelo "Estado de S. Paulo" e confirmado pela CNN.

Segundo relatos feitos à CNN, Vieira informou o Palácio do Planalto sobre os pedidos e rejeitou os termos. Na reunião com Rubio e Greer, os pontos sequer foram tratados, e não voltaram à mesa nas negociações seguintes.

Reservadamente, o Itamaraty classifica os pedidos iniciais da Casa Branca como "bullying diplomático" e afirma que aquela proposta "nasceu morta", pois nunca esteve na lista efetiva de barganhas em reuniões oficiais.

O que mudou depois da proposta

A menção a "dissidentes políticos" foi um dos pontos rechaçados de imediato, porque o termo não tem validade jurídica em uma democracia. A exigência de compra de aviões da Boeing também foi vista como ingerência indevida em negócios privados, já que as companhias aéreas no Brasil têm liberdade para escolher seus fornecedores de jatos.

Outros pedidos americanos incluíam a adesão do Brasil ao "princípio da neutralidade competitiva" sobre o papel do Banco Central como regulador e supervisor dos meios de pagamento eletrônico, como o Pix. O governo Trump também pediu a eliminação de tarifas de importação sobre etanol, produtos químicos, máquinas e equipamentos, veículos automotivos e bens de alta tecnologia fabricados nos Estados Unidos.

Havia ainda a exigência de que o Brasil informasse previamente sobre possíveis transferências de controle de ativos na área de minerais críticos e desse às empresas americanas uma espécie de direito de preferência antes da venda para outros países.

Reação e bastidores

Na avaliação de negociadores brasileiros que acompanharam as tratativas, a proposta inicial trazia vários dispositivos parecidos com acordos feitos pela gestão Trump com outros parceiros comerciais, algo como um "corta e cola" de documentos.

Alguns diplomatas veem com preocupação o vazamento do conteúdo. O governo americano tem exigido confidencialidade das negociações e adotado postura agressiva contra países que divulgam extraoficialmente parte das tratativas.

A CNN procurou o Departamento de Estado e não obteve resposta. O Itamaraty também foi acionado e não se pronunciou. Para famílias que acompanham o impacto do tarifaço no bolso, o desfecho prático é que os pontos mais sensíveis ficaram fora da mesa oficial, segundo os relatos obtidos pela CNN.

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