Emmy reconhece pouca diversidade na 78ª edição
A 78ª edição do Emmy, marcada para esta segunda-feira (14/9), em Los Angeles, com transmissão às 20h30 pela TNT e HBO Max, chega sob um reconhecimento incômodo: a própria Academia de Artes e Ciências Televisivas admite que a lista de indicados não representa a TV que existe hoje.
O levantamento do site Deadline, que considera apenas atores e apresentadores, aponta 22 indicados não brancos ou de origem fora dos EUA, o menor número das últimas 15 edições. A queda é de 21% em relação ao ano passado e representa menos da metade dos 49 registrados em 2021.
"Demos um passo para trás, infelizmente", afirma Cris Abrego, presidente da Academia. "Há muitos programas de sucesso, com diversidade, não indicados. Séries com artistas latinos e asiáticos que fazem retrato mais fiel do nosso mundo, inclusive dos Estados Unidos."
A lista também chamou a atenção pela ausência de obras produzidas fora dos EUA e de países de língua inglesa. Entre os poucos nomes lembrados estão o colombiano Carlos-Manuel Vesga, coadjuvante em "Pluribus", e a sul-coreana Youn Yuh-jong, da segunda temporada de "Treta".
O que mudou na seleção
Entre os não brancos nomeados, a americana Zendaya concorre em drama com a terceira temporada de "Euphoria", série com a qual já venceu duas vezes. Sua principal oponente é Rhea Seehorn, de "Pluribus", trama da Apple TV com 18 indicações. O americano Colman Domingo, de "Euphoria", é o único não branco a aparecer duas vezes na lista, ao concorrer também por "As quatro estações do ano". Entre os brancos, isso ocorreu quatro vezes.
A série mais lembrada foi "The Pitt", com 25 indicações, quase o dobro das 13 da temporada inaugural. A produção da Warner Bros soma 13 atores indicados e já venceu um troféu na pré-cerimônia, com Ernest Harden Jr. em ator convidado. "Hacks", encerrada na quinta temporada, recebeu 24 indicações e virou a comédia mais indicada da história, superando o recorde de 23 antes dividido por "O estúdio" e "O urso".
Abrego defende a entidade dizendo que ela não produz as séries nem contrata os atores. O que cabe à instituição, segundo ele, é estimular os votantes a conhecer produções de mais países na hora de escolher os indicados, embora não explique como esse incentivo acontece. Nascido nos EUA, de família mexicana, ele é a primeira pessoa de origem latina a presidir a Academia, fundada há 80 anos e formada por cerca de 27 mil pessoas.
"Sei que podemos fazer muito melhor", diz o presidente.
A tendência para os próximos meses é que o debate sobre representação siga pautando a Academia. Sem mudança nas regras de votação, a composição do corpo de votantes, cerca de 27 mil profissionais, deve continuar definindo o ritmo dessa correção.