# Netanyahu declara Turquia inimiga de Israel às vésperas das eleições

> Benjamin Netanyahu declarou a Turquia inimiga de Israel às vésperas das eleições israelenses. A declaração ocorre em meio a escalada regional, com ordem de ataque a base aérea na Síria. A medida insere a Turquia no centro da campanha eleitoral, afetando relações bilaterais e dinâmicas de segurança no Oriente Médio.

*Portal Notícias MG · Eventos · 29 de agosto de 2026 · Inácio Bicalho*

Com eleições em dois meses, Netanyahu coloca a Turquia no centro da campanha e ordena ataque a base aérea na Síria. Entenda o que está em jogo para a região e para o cenário político israelense.

Faltando pouco mais de dois meses para as eleições em Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu colocou a Turquia no centro da campanha e do mais recente confronto militar. Um outdoor na principal rodovia de Tel Aviv mostrou o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ao lado de líderes do Irã, do Hezbollah e do prefeito de Nova York, sob o slogan: "Eles querem que Netanyahu perca. Não deixe que eles vençam". Poucos dias depois, caças israelenses atacaram a base aérea de Abu al-Dahar, no norte da Síria, mirando o que autoridades descreveram como uma crescente mobilização militar turca, considerada por Israel uma ameaça significativa.

O ataque reabriu um debate: Netanyahu age preventivamente contra uma ameaça real ou amplia um risco existente para melhorar sua posição eleitoral? Ao longo de décadas de carreira, Netanyahu se apresentou como o "Senhor Segurança", com histórico de transformar crises em vantagem. Tom Barrack, enviado do presidente dos EUA, Donald Trump, para a Síria e embaixador na Turquia, fez rara crítica pública, chamando a ação de "escalada desnecessária" e levantando a "teoria" de que Israel "simplesmente tentou provocar a Turquia".

Oficialmente, Israel justificou o ataque como necessidade operacional. Netanyahu e o ministro da Defesa, Israel Katz, afirmaram que a inteligência indicava que Ancara se preparava para instalar tropas e equipamentos na base. Uma fonte militar israelense disse à CNN que as IDF obtiveram informações sobre planos turcos de mobilizar pessoal, drones e sistemas de defesa aérea. Os dados foram compartilhados com o governo Trump e com o presidente da Síria, Ahmed Al-Sharaa. No domingo (23), Roman Goffman, chefe do Mossad, reuniu-se com o chanceler sírio, Asaad al-Shaibani, na Jordânia, para amenizar tensões, segundo a agência estatal síria.

Ancara rejeitou a versão israelense, classificando-a como "insustentável", e acusou Netanyahu de "adotar políticas expansionistas e desestabilizadoras na região". Netanyahu e Katz refutaram a motivação política. "Não toleraremos que uma presença militar turca se estabeleça na Síria e ameace Israel", disse Netanyahu. No dia 21, o gabinete israelense chamou Erdogan, no X, de "tirano antissemita que oprime seu próprio povo".

A disputa entre Netanyahu e Erdogan se intensificou durante os conflitos em Gaza, no Líbano e com o Irã. Erdogan já chamou Netanyahu de criminoso de guerra; Netanyahu acusou Erdogan de apoiar o Hamas e se opôs à venda de caças F-35 dos EUA para Ancara. Para Amos Harel, analista do Haaretz, há indícios reais de hostilidade turca e movimentações militares na Síria, mas "também está totalmente claro que Netanyahu está adotando uma linha nova e agressiva", lição do 7 de outubro de 2023: atacar primeiro e criar zonas de segurança. Israel ocupa uma zona de 400 quilômetros quadrados na Síria desde o colapso de Assad em 2024.

Críticos internos também questionam o momento. O líder da oposição, Yair Lapid, defendeu a operação, mas disse: "No Oriente Médio, é importante atacar quando necessário. Mas, se você atacou, fique quieto". Yair Golan, do partido Democratas, chamou a ação de "provocativa e perigosa". O ex-primeiro-ministro Ehud Barak escreveu que a escalada "cheira fortemente a uma intenção política de entrar nas eleições em meio a uma série de tensões de segurança planejadas para alarmar o público". Com Netanyahu e seu bloco atrás nas pesquisas, a crise pode controlar a pauta da campanha. Como resume Harel: "A fronteira Turquia-Síria torna-se uma frente em potencial. Isso levanta, no mínimo, uma forte suspeita de que considerações políticas também estão envolvidas".

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