Eventos

Djavan estreia no Rio turnê 'Djavanear 50 anos - Só sucessos'

ResumoDjavan estreou no Rio de Janeiro (RJ) a turnê 'Djavanear 50 anos - Só sucessos' em 1º de agosto, na Farmasi Arena. O show apresentou quase 30 músicas em duas horas e meia, incluindo homenagens a Gal Costa e David Sanborn. A apresentação marca a celebração de cinco décadas de carreira do artista.

Djavan estreou na cidade do Rio de Janeiro (RJ) o show da turnê 'Djavanear 50 anos - Só sucessos', na Farmasi Arena, em 1º de agosto. Foram quase 30 músicas em duas horas e meia, com homenagens a Gal Costa e David Sanborn.

Cláudia Resende
Cláudia Resende Repórter de Saúde e Educação · 03 de agosto de 2026 · 6 min de leitura
Djavan estreia no Rio turnê 'Djavanear 50 anos - Só sucessos'

Djavan estreia no Rio show da turnê dos 50 anos de sucesso

Djavan estreou na cidade do Rio de Janeiro (RJ) o show da turnê 'Djavanear 50 anos - Só sucessos', na Farmasi Arena, na noite de sábado, 1º de agosto. Foram quase 30 músicas em duas horas e meia de apresentação, com o público lotando pista, cadeiras e camarotes.

'Voltei, Rio!': a estreia carioca de Djavan

"Voltei, Rio!", celebrou Djavan no palco da Farmasi Arena. Após reviver "Eu te devoro" (1998), música de ar jovial que marcou pico de popularidade no fim do século XX, o cantor improvisou e cantou a capella os versos iniciais de "Delírio dos mortais" (2007), samba em exaltação ao Rio de Janeiro (RJ).

"Rio / Podem dizer o que quiser / Mas o xodó do povo é o Rio / Casa do samba e do amor / Do Redentor / Louvado seja o Rio", abençoou Djavan.

Foi a deixa para saudar o público que lotou a arena carioca. "Essa cidade me deu à luz e fez de mim o que sou hoje. Aprendi tudo no Rio de Janeiro", resumiu o artista, estendendo o cumprimento com o canto de "Boa noite" (1992), tema de batida funkeada.

50 anos de carreira: de 'Fato consumado' ao primeiro álbum

Djavan estava feliz. Enfim, o cantor apresentava no Rio de Janeiro (RJ), cidade em que nasceu e floresceu como artista, o show retrospectivo do cinquentenário da carreira. A trajetória foi impulsionada em 1975 com a defesa do samba "Fato consumado" em festival promovido pela TV Globo e consolidada no ano seguinte com o lançamento do primeiro álbum, "A voz • O violão • A música de Djavan" (1976).

A atmosfera de felicidade se espalhou entre o público, fazendo o delírio dos simples mortais que estavam ali, embevecidos com a oportunidade de ouvir o suprassumo da obra de um compositor que merece a qualificação de gênio.

Roteiro de sucessos e surpresas

Foram quase 30 músicas em duas horas e meia de apresentação que fluiu tão bem que quase ninguém sentiu as ausências de sucessos como "Faltando um pedaço" (1981), "Esquinas" (1984) e "Asa" (1986).

Djavan cumpriu o prometido no título da turnê "Djavanear 50 anos - Só sucessos" e promoveu desfile de hits no roteiro aberto com "Sina" (1982), revivida com arranjo de sotaque africano, como a sinalizar que Luanda é o farol que ilumina a obra plantada no chão das Alagoas e germinada no Rio de Janeiro (RJ), cidade para onde migrou em 1972 o artista nascido em Maceió (AL) em janeiro de 1949.

Emoldurado pela cenografia de Gringo Cardia, arquiteto das paisagens coloridas geradas pela exposição de grafismos, pinturas, fotografias e telas de grandes artistas visuais no painel de LED, Djavan manteve o pique durante as duas horas e meia.

Se "Cigano" (1989) ganhou ar jazzy, lembrando a força do jazz na formação musical do artista, "Miragem" (1984), "Me leve" (1987) e "Mal de mim" (1989) reiteraram a força da personalidade do cantor ao inserir lados B no mosaico de sucessos. Foram músicas acompanhadas em silêncio respeitoso pelo público, que se esbaldou no coro de petardos certeiros como "Samurai" (1982) e "Se..." (1992).

A banda e as renovações sutis

Djavan dividiu o palco com a banda formada por Felipe Alves (bateria), Jessé Sadoc (trompete e flugelhorn), Marcelo Mariano (baixo), Marcelo Martins (sax tenor e flauta), Paulo Calasans (piano e teclados), Rafael Rocha (trombone), Renato Fonseca (teclados) e Torcuato Mariano (guitarra e violão), além das vocalistas Clara Carolina e Jenni Rocha.

O cantor rebobinou a obra com sutis renovações, como os vocais das backings em "Linha do Equador" (Djavan e Caetano Veloso, 1992) e a divisão redesenhada de "Seduzir" (1981), sem querer se provar moderno pela simples consciência de já se saber eterno no panteão da MPB.

Roteiro autoral e parcerias

Ourives das harmonias, Djavan sabe o quilate da obra que construiu, a ponto de bancar um roteiro inteiramente autoral com 28 músicas, sendo 25 feitas somente pelo compositor, sem parceiros.

Além de "Linha do Equador", parceria bissexta com Caetano Veloso apresentada no álbum "Coisa de acender" (1992), as exceções foram "Lambada de serpente" (Djavan e Cacaso, 1980), grande momento do bloco de voz e violão, com menção nominal ao parceiro letrista Cacaso (1944-1987), e "O vento" (1987), canção letrada por Djavan em parceria com outro poeta, Ronaldo Bastos.

Homenagens a Gal Costa e David Sanborn

Por ter sido lançada na voz imortal de Gal Costa (1945-2022) no álbum "Lua de mel como o diabo gosta" (1987) e somente gravada por Djavan no último álbum do cantor, "Improviso" (2024), "O vento" foi soprada linda e melancolicamente no show, como fecho de bloco que teve duas outras músicas associadas ao canto cristalino de Gal, "Açaí" (1981) e "Azul" (1982).

"Gal é uma lembrança comovente. Gal foi a maior intérprete que eu já tive", saudou Djavan, dimensionando a importância da cantora que gravou 13 músicas do compositor entre 1981 e 2019.

Além de Gal, Djavan celebrou a memória de David Sanborn (1945-2024), influente saxofonista norte-americano com quem o cantor gravou há 40 anos a música "Quase de manhã" (1986) para o álbum "Meu lado" (1986). Nunca regravada por Djavan e sequer cantada ao vivo até então, "Quase de manhã" é a grande surpresa do roteiro, revivida em tom jazzístico com o saxofonista Marcelo Martins executando ao vivo a parte que coube a Sanborn no registro de estúdio.

Momentos catárticos e o bis

Em que pese todo o aparato visual e o virtuosismo imponente da big banda, Djavan provocou efeito catártico no público munido somente do violão e da voz inigualáveis em bloco pavimentado com as baladas "Meu bem querer" (1980) e "Oceano" (1989).

Oito números depois, o medley com os sambas "Serrado" (1978), "Fato consumado" (1975) e "Flor de lis" (1976) surtiu efeito similar, comprovando a habilidade de Djavan para compor músicas de arquitetura sofisticada e paradoxal apelo popular. Quem há de resistir a cada desabrochar de "Pétala" (1982)?

Quando chegou ao fim, com a infalível "Lilás" (1984) preparando o clima para o bis iniciado com a balada "Um amor puro" (1999) e arrematado com a reprise de "Sina" em arranjo mais festivo, o show tinha feito a felicidade dos mortais em justificado delírio diante da obra monumental desse gigante da MPB.

Perguntas Frequentes

Quando Djavan estreou o show da turnê no Rio de Janeiro?

A estreia carioca do show "Djavanear 50 anos - Só sucessos" aconteceu em 1º de agosto de 2026, na Farmasi Arena, no Rio de Janeiro (RJ).

Quantas músicas Djavan apresentou no show?

Foram quase 30 músicas em duas horas e meia de apresentação, com roteiro inteiramente autoral de 28 músicas, sendo 25 feitas somente pelo compositor.

Quais foram as homenagens do show?

Djavan celebrou a memória de Gal Costa (1945-2022), que gravou 13 músicas do compositor, e de David Sanborn (1945-2024), saxofonista com quem gravou "Quase de manhã" (1986).

Qual foi a grande surpresa do roteiro?

"Quase de manhã" (1986), nunca regravada por Djavan e sequer cantada ao vivo até então, foi a grande surpresa, revivida em tom jazzístico.

Quem compôs a banda do show?

A banda foi formada por Felipe Alves, Jessé Sadoc, Marcelo Mariano, Marcelo Martins, Paulo Calasans, Rafael Rocha, Renato Fonseca e Torcuato Mariano, além das vocalistas Clara Carolina e Jenni Rocha.

// Leia também

Publicidade