Crise no STF e eleições: CEO da Nexus avalia
Empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro marca novo levantamento Nexus/BTG. Para o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, a crise no STF tem fortalecido convicções em vez de alterar intenções de voto.
A pesquisa Nexus/BTG divulgada nesta segunda-feira (14) aponta empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em cenários simulados de segundo turno. Em entrevista ao CNN Novo Dia, o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, avaliou o impacto da crise no Supremo Tribunal Federal sobre o ambiente eleitoral.
Segundo Tokarski, a crise institucional no STF tem aprofundado a polarização política no país, em vez de provocar grandes mudanças na intenção de voto. "Tem servido para fortalecer a convicção em ambos os lados", afirmou. Na avaliação dele, eleitores de Flávio Bolsonaro tendem a associar a crise ao campo de Lula, enquanto eleitores de Lula fazem o movimento inverso, relacionando o envolvimento ao campo adversário, especialmente no caso Banco Master.
Intenção de voto oscila pouco apesar do bombardeio de notícias
Tokarski destacou que, apesar do volume de notícias sobre os casos Dark Horse, Banco Master e outros episódios ao longo da campanha, a intenção de voto de Lula e de Flávio Bolsonaro tem oscilado pouco. "Algumas pesquisas mostram que mais de 80% dos eleitores dizem que não mudarão o seu voto por conta dessa questão envolvendo o Supremo Tribunal Federal", ressaltou.
Na semana passada, Lula havia aparecido, pela primeira vez em 13 levantamentos, um ponto atrás de Flávio Bolsonaro na simulação de segundo turno, ainda dentro da margem de empate técnico. Na pesquisa divulgada nesta segunda-feira, a intenção de voto de Lula voltou a crescer, assim como a avaliação do governo, cujo saldo negativo recuou de -5 pontos percentuais para -2 pontos. "A gente pode ver pelo tom dos discursos do presidente que a campanha acordou para isso, reagiu, e, aparentemente, sua intenção de voto também reagiu", destacou Tokarski.
Terceira via perde força e voto migra para os dois favoritos
O analista também apontou o enfraquecimento da chamada terceira via. Augusto Cury (Avante), que havia atingido 11% das intenções de voto em levantamento anterior, caiu para 9% na semana seguinte e, na pesquisa mais recente, registrou apenas 7%. "Esse voto está voltando para Lula e para Flávio", explicou Tokarski. Quando Cury estava em seu pico, a terceira via somava entre 21% e 22% do total de votos; agora, esse bloco recuou para cerca de 15%.
Com Lula registrando 45% dos votos válidos no primeiro turno, Tokarski avaliou que uma vitória já no primeiro turno está distante. "A gente tem quase uma certeza de que, se a eleição fosse nesse domingo, haverá um segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro", afirmou. No segundo turno, Lula mantém uma vantagem numérica discreta, mas o cenário segue aberto. "Uma vantagem muito pequena, absolutamente aberta e imprevisível", concluiu.