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COP17: comércio internacional e produção sustentável em debate

ResumoA COP17 em Ulaanbaatar debate o papel do comércio internacional na promoção de cadeias produtivas sustentáveis em áreas suscetíveis à desertificação. A ApexBrasil apresenta exemplos da Caatinga e do Semiárido brasileiro, onde práticas de produção sustentável podem ser impulsionadas por acordos comerciais. A discussão foca em integrar desenvolvimento econômico e conservação ambiental em regiões vulneráveis.

Na COP17, em Ulaanbaatar, a ApexBrasil discute como o comércio internacional pode impulsionar cadeias produtivas em áreas suscetíveis à desertificação, com exemplos da Caatinga e do Semiárido.

Marília Stefani
Marília Stefani Repórter de Segurança Pública · 28 de agosto de 2026 · 3 min de leitura
COP17: comércio internacional e produção sustentável em debate

A COP17, realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia, trouxe o comércio internacional para o centro do debate sobre produção sustentável e combate à desertificação. No Pavilhão Brasil, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) participa da programação com discussões sobre como cadeias produtivas desenvolvidas em regiões suscetíveis à desertificação podem contribuir para o desenvolvimento regional e ganhar espaço nos mercados internacionais.

A ApexBrasil é co-organizadora do Pavilhão Brasil, junto ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e ao Ministério das Relações Exteriores. Na programação, a agência promoveu debates sobre experiências de países como Índia, México e Egito no fortalecimento de cadeias produtivas em áreas vulneráveis. Também houve espaço para a experiência brasileira, com discussões sobre instrumentos de financiamento, políticas públicas, tecnologias para a Caatinga e ferramentas de acesso a mercados internacionais.

"A gente traz para cá uma discussão sobre como o comércio internacional tem sido um vetor de desenvolvimento regional, sobretudo para essas regiões que hoje sofrem com degradação da terra", afirmou Carla Duarte, gerente de Relações Institucionais e Governamentais da ApexBrasil, em entrevista ao g1 durante a COP17.

Dentro dessa discussão, a ApexBrasil destaca a necessidade de ampliar a participação do Norte e do Nordeste na pauta exportadora brasileira. Segundo Carla, a agência criou o programa Cooperar para Exportar, voltado para cooperativas, muitas formadas por pequenos produtores e agricultores familiares. O programa já apoiou mais de 500 cooperativas, sendo 200 do Semiárido, incluindo cooperativas do Sertão de Pernambuco e da Bahia.

Carla citou cadeias produtivas de frutas e mel como exemplos fortes em áreas suscetíveis à desertificação. O Vale do São Francisco, em Pernambuco e na Bahia, foi destacado como região que, apesar da pouca chuva e das altas temperaturas, se consolidou como polo exportador a partir de investimentos em tecnologia, infraestrutura e políticas públicas. Em 2025, foram exportadas 290 mil toneladas de manga, sendo mais de 90% desse volume a partir da Bahia e de Pernambuco.

A relação entre sustentabilidade e comércio também está na pauta. Carla afirmou que exigências ambientais estão cada vez mais presentes nos mercados globais e que políticas governamentais podem criar barreiras ou oportunidades para produtos brasileiros. Ela avaliou que a Meta Nacional de Neutralidade da Degradação da Terra apresentada pelo Brasil na conferência pode contribuir para a competitividade dos produtos brasileiros.

Na cadeia do mel, o Brasil exportou 34 mil toneladas no ano passado, sendo 40% do Nordeste. No Piauí, 90% da produção vem da agricultura familiar, beneficiando cerca de 12 mil famílias de apicultores. Em Pernambuco, o estado exportou cerca de US$ 637 mil em mel em 2025. Carla destacou que a atividade tem relação direta com a conservação ambiental, pois as abelhas dependem da vegetação.

No Sertão de Pernambuco, onde fica o Núcleo de Desertificação de Cabrobó, o debate dialoga com a necessidade de conciliar produção, conservação e geração de renda. A participação da ApexBrasil na COP17 coloca em discussão a possibilidade de aproximar produção sustentável, agricultura familiar e comércio internacional, criando oportunidades econômicas para regiões como o Semiárido.

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