Buscas por 129 desaparecidos após navio virar na Indonésia
Centenas de socorristas indonésios, entre integrantes da guarda costeira e da Marinha, corriam nesta segunda-feira (14) para chegar ao navio de passageiros que virou no Mar de Java durante o fim de semana. As equipes buscavam 129 pessoas ainda desaparecidas. O número confirmado de mortos é seis, segundo autoridades.
O navio Virgo Transport 8, que transportava 243 pessoas, desapareceu em meio ao mau tempo no início do domingo (13), informou a agência de resgate. Desde então, 108 pessoas foram resgatadas. A embarcação fazia a rota entre Surabaia, na província de Java Oriental, e Banjarmasin, em Kalimantan do Sul.
Águas agitadas, com ondas altas e ventos fortes, dificultavam as buscas nesta segunda-feira, afirmou Mohammad Syafii, chefe da agência nacional de resgate. A agência mobilizou pelo menos 622 pessoas, 17 embarcações, cinco helicópteros e aeronaves para localizar os desaparecidos, acrescentou Syafii. Algumas embarcações já chegaram ao local, mas os socorristas enfrentavam dificuldades para entrar no navio, que está virado e parcialmente submerso.
"Também enviaríamos equipes especializadas em resgate subaquático, mas as condições atuais não permitem", afirmou. "Enquanto esperamos uma melhora nas condições meteorológicas, estamos identificando mais profissionais com habilidades especializadas", acrescentou, dizendo que o número de mortos permanecia em seis.
Em um vídeo divulgado pela agência de resgate, um grande navio vermelho e preto aparece virado e parcialmente submerso em águas azuis agitadas, com a parte inferior pintada de vermelho visível acima da superfície. Duas pequenas embarcações, cada uma com pessoas a bordo, aparecem flutuando em águas turbulentas próximas ao navio.
O local do acidente fica a cerca de 80 milhas náuticas, ou quase 150 quilômetros, do centro de comando no porto de Trisakti, em Banjarmasin, informou outro funcionário da agência de resgate à Reuters. "As condições lá são bastante ventosas, o que dificulta a aproximação das embarcações de resgate", afirmou o funcionário Arianto Ardi.
Até a tarde desta segunda-feira (14), nenhum dos 129 desaparecidos havia sido localizado, disse Arianto. Segundo ele, as equipes ainda não conseguiam iniciar as buscas pelas vítimas devido às condições meteorológicas. O tempo estava muito ruim quando o acidente aconteceu, com ondas de até três metros atingindo a embarcação, afirmou Syafii.
Em condições meteorológicas favoráveis, são necessárias cerca de cinco horas para chegar ao local a partir do porto de Trisakti. Em condições adversas, o trajeto pode levar até nove horas.
No domingo (13), Edy Prakoso, outro funcionário da agência, afirmou que o navio inclinou fortemente para um dos lados depois que ondas fortes atingiram sua lateral direita. O ministro dos Transportes, Dudy Purwagandhi, afirmou que a embarcação tinha capacidade para 500 passageiros e, portanto, não estava sobrecarregada.
O acidente ocorreu no Mar de Java, entre as quatro ilhas mais populosas da Indonésia (Java, Sumatra, Sulawesi e Bornéu), uma região que já foi palco de alguns dos acidentes marítimos mais mortais do país. Uma parte do mar, próxima às ilhas Masalembo, é frequentemente chamada de "Triângulo das Bermudas da Indonésia", devido ao número de acidentes aéreos e marítimos registrados na região. Em 1981, o navio Tampomas II afundou na área, matando quase 600 pessoas, segundo algumas estimativas. Em 2007, um avião também caiu na mesma região, deixando mais de 100 mortos.
Freddy Manuhua aguardava ansiosamente por notícias do irmão, Stefiyansah, no porto de Surabaia desde domingo. O irmão trabalhava havia dois meses como tecladista no show de entretenimento do navio. Ele se lembra de ter levado o irmão, que estava muito animado com o novo emprego, ao porto de Surabaia no sábado (12), antes de a embarcação partir para Banjarmasin. "Vou aceitar o que quer que aconteça e ficaria grato se ainda pudesse ver meu irmão mais novo novamente, independentemente das condições em que ele esteja", afirmou.
A Indonésia depende de balsas para conectar suas cerca de 17 mil ilhas. O transporte marítimo é mais barato e acessível do que as viagens aéreas, mas o país registra diversos acidentes. No mês passado, duas balsas de passageiros pegaram fogo em incidentes separados, deixando seis mortos: cinco na região da ilha de Madura e um em uma rota que parte da ilha de Bali.