Buckingham nega acusações do irmão de Diana contra Charles III
O Palácio de Buckingham rejeitou categoricamente as afirmações de Charles Spencer, irmão da princesa Diana, que alega que o rei Charles III disse que ela seria esquecida "muito em breve", apenas alguns dias após sua morte em 1997. As acusações constam do livro "Swan Song: Diana, My Sister" (O Canto do Cisne: Diana, Minha Irmã), de autoria de Charles Spencer, com lançamento previsto para a próxima terça-feira (22) e primeiros trechos publicados pelo tabloide Daily Mail.
Segundo os trechos divulgados, o irmão de Diana relata um diálogo tenso com o então príncipe de Gales sobre o funeral da princesa, que morreu em um acidente de trânsito em Paris, em agosto de 1997. Spencer afirma que Charles ficou furioso durante uma conversa sobre a participação dos príncipes William e Harry, que tinham 15 e 12 anos, no cortejo fúnebre atrás do caixão da mãe.
O irmão de Diana diz que tentou se opor à participação dos dois jovens no cortejo, por considerar que sua irmã não gostaria de submeter os filhos a uma provação pública de tamanha magnitude. Ele também relata que, durante uma conversa telefônica, Charles disse algo que ele interpretou como seu "desprezo por Diana" e seu "horror diante da comoção mundial provocada pela morte" da princesa. "Tenha certeza de que logo vamos esquecê-la", teria dito, segundo Spencer, antes de desligar o telefone.
O que mudou com a negativa do Palácio de Buckingham
O Palácio de Buckingham negou as afirmações de maneira categórica. Em uma declaração enviada na quarta-feira à imprensa britânica, um porta-voz de Charles III afirma que o monarca "tem consciência de que a dor do luto fraterno pode obscurecer a razão, afetar o julgamento e alterar a memória de maneiras que os outros não percebem, mesmo muitos anos após tal perda".
O palácio evitou se pronunciar diretamente sobre o principal das acusações e lembrou que, por princípio, não comenta os livros que são publicados sobre a família real. A postura mantém a tradição da casa real de não responder a obras biográficas ou relatos de terceiros, mas a negativa categórica marca uma reação incomum a alegações específicas envolvendo o monarca.
O funeral que comoveu o mundo
Durante o funeral de Diana em Londres, em 6 de setembro de 1997, William e Harry caminharam atrás do caixão da mãe até a Abadia de Westminster, acompanhados pelo pai, Charles, pelo príncipe Philip e por Charles Spencer, em uma imagem que comoveu o mundo. Naquele dia, Spencer pronunciou um elogiado discurso fúnebre no qual prometeu que sua família cuidaria dos dois jovens príncipes.
A controvérsia reacende um episódio que, quase três décadas depois, segue mobilizando a opinião pública britânica e a imprensa internacional. O livro de Charles Spencer amplia o relato pessoal sobre os dias que se seguiram à morte de Diana, enquanto o Palácio de Buckingham opta por não transformar a negativa em um debate público sobre a veracidade das memórias do irmão da princesa.