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Brics: Vieira cita colapso da governança global

ResumoMauro Vieira, chanceler brasileiro, declarou na abertura da cúpula do Brics em Nova Delhi que a governança global entrou em colapso. Vieira defendeu um multilateralismo renovado, com reformas na ONU, na OMC e nas instituições financeiras internacionais, posicionando o Brics como espaço de articulação para países emergentes diante da crise das estruturas multilaterais tradicionais.

Em discurso na abertura da cúpula do Brics, em Nova Delhi, o chanceler Mauro Vieira afirmou que a governança global entrou em colapso e defendeu um multilateralismo renovado, com reformas na ONU, OMC e instituições financeiras.

Ronaldo Pimenta
Ronaldo Pimenta Repórter de Esporte Mineiro · 14 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
Brics: Vieira cita colapso da governança global

O chanceler Mauro Vieira afirmou neste sábado (12) que o sistema de governança global entrou em colapso e que o Brics precisa defender um multilateralismo renovado e legítimo. A declaração foi feita na abertura da cúpula do bloco, em Nova Delhi, na Índia. Vieira representa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ausente por causa da reta final da campanha eleitoral.

O ministro citou a crise humanitária em Cuba, as intervenções na América Latina e as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio como exemplos de desrespeito ao direito internacional. Em meio ao colapso da velha ordem, disse, a voz do Brics deve se erguer em defesa de um multilateralismo renovado e legítimo.

O que o Brasil propõe na cúpula do Brics

Para garantir a renovação do multilateralismo, Vieira reforçou que o governo brasileiro defende reformas profundas na governança global, em especial no Conselho de Segurança da ONU. O ministro mencionou ainda mudanças na Organização Mundial do Comércio (OMC) e nas instituições financeiras globais, como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial.

O Brasil está convencido de que esses objetivos não serão alcançados sem reformar a arquitetura da governança global, tendo o Sul Global como principal motor do processo, afirmou. Vieira acrescentou que a paralisia virtual do Conselho de Segurança contribui para a erosão da arquitetura de paz e segurança internacionais, que, apesar de suas falhas, poupou gerações do flagelo da guerra.

O chanceler também defendeu a unidade do grupo ampliado, mesmo reconhecendo posições divergentes entre os países. Como um grupo ampliado, devemos corresponder ao nosso peso crescente com um senso de responsabilidade para atuar como uma força coesa em prol dos interesses do Sul Global, disse.

Divergências superadas e reuniões bilaterais

Na véspera da cúpula, em entrevista à CNN Brasil, Vieira já defendia que o Brics, por ser um grupo expressivo mas relativamente pequeno, pode superar divergências por meio de diálogo mais próximo entre governos. Diplomatas ouvidos pela CNN Brasil apontaram um exemplo concreto: Irã e Emirados Árabes Unidos superaram diferenças e aprovaram o comunicado final, apesar de estarem em lados opostos na guerra do Oriente Médio. A diplomacia funcionou, resumiu um embaixador experiente em negociações do tipo.

Segundo negociadores do comunicado final, as delegações dos dois países se portaram de maneira construtiva e respeitosa na reta final das conversas. É uma mudança em relação à reunião de chanceleres de maio, quando o bloco não conseguiu fechar um comunicado conjunto por causa das divergências. Após a primeira sessão oficial da cúpula, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, xeque Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan, se reuniram para discutir o conflito e suas diferenças.

Às margens da cúpula, Vieira participou de três reuniões bilaterais: com o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla; o chanceler do Irã, Abbas Araghchi; e a diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala. Com o cubano, tratou do impacto das sanções econômicas contra a ilha, impedida pelos Estados Unidos de comprar petróleo, o que causa crise humanitária no país. O Brasil defendeu a inclusão de um parágrafo condenando as sanções no comunicado final, aprovado por unanimidade. Araghchi apresentou a posição do governo iraniano sobre uma possível saída negociada para a guerra com os Estados Unidos, viável apenas dentro das condições do memorando de entendimento que levou a um cessar-fogo temporário. Com a diretora da OMC, Vieira tratou da guerra comercial entre vários países e de possíveis mudanças na entidade.

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