Bienal do Livro: Conceição Evaristo aconselha nova geração
Na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, Conceição Evaristo aconselhou a nova geração de escritores: valorizar as raízes e não acreditar que inventou a roda. Evento vai até 13 de setembro.
A escritora Conceição Evaristo aproveitou a Bienal Internacional do Livro de São Paulo para aconselhar a nova geração de autores e leitores. Em conversa com o público, ela celebrou o que vê de mais positivo no movimento atual, mas fez um alerta: não ignorar as raízes.
Para Evaristo, é animador ver jovens lendo nomes fundamentais do pensamento negro brasileiro. "O que mais me encanta da nova geração é que eu vejo uma nova geração que lê, por exemplo, Abdias Nascimento, que lê Lélia Gonzalez, que lê Beatriz Nascimento, que lê Neuza Santos", afirmou. Na visão dela, essa postura mostra que os jovens valorizam o que veio antes e tomam essa herança "como diretriz, como inspiração, como diálogo".
Mas ela fez uma ressalva importante. Evaristo disse que a nova geração não pode acreditar que "inventou a roda". Lembrou que a própria trajetória dela só foi possível graças às gerações anteriores, incluindo mulheres que, segundo a escritora, "nem sabiam grafar o nome, mas que tinham uma sabedoria muito grande".
"Cada geração tem uma tradição atrás de si, que é uma tradição renovada pela geração atual, mas não pode ser esquecida", concluiu. A fala reforça o valor do diálogo entre gerações para construir uma literatura sólida e consciente da própria história.
A Bienal começou nesta sexta-feira (4) e vai até 13 de setembro, no Distrito Anhembi, na Zona Norte de São Paulo. Entre os nomes confirmados estão Raphael Montes, Paula Pimenta, Carina Rissi, Thalita Rebouças, Lynn Painter e Alice Oseman, todos na Arena Cultural, palco principal do evento.
Quem quiser ir pode comprar ingresso pelo site Fever. Este ano, a Bienal dividiu as entradas entre diurnas e noturnas, com cashback que vira crédito para compra de livros. Os ingressos para os dias 5, 6 e 12 de setembro já estão esgotados.
A dica de quem vive o interior também vale aqui: a seca de referências não é notícia só quando vira tragédia. Quem lê os clássicos carrega a memória de quem veio antes. E é isso que Evaristo pede à nova geração: saber de onde se parte para escrever o que vem depois.