# Museu da Inconfidência: mostra "Sala da vida privada" abre aos 82 anos

> Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, inaugura a mostra "Sala da vida privada" aos 82 anos de existência. A exposição coloca mulheres como protagonistas da narrativa histórica, conectando acervo colonial mineiro a obras de arte contemporânea. A iniciativa propõe revisão crítica do papel feminino no período da Inconfidência, ampliando o diálogo entre passado e presente no espaço museológico.

*Portal Notícias MG · Eventos · 02 de setembro de 2026 · Marília Stefani*

Aos 82 anos, Museu da Inconfidência abre mostra que coloca mulheres no centro da história. "Sala da vida privada" dialoga com acervo colonial e arte contemporânea.

O Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, comemora 82 anos com a abertura da mostra coletiva "Sala da vida privada", neste sábado (5). A exposição propõe um diálogo entre objetos do acervo ligados às vidas social e privada no Brasil-Colônia e trabalhos contemporâneos, com leitura crítica do papel das mulheres nos espaços domésticos.

Inaugurado em 1944, o museu é um dos mais visitados do país, com média de 350 mil visitantes por ano. A mostra integra o Programa de Exposições 2026 e fica em cartaz até 8 de novembro, com obras de Carol Ambrósio (1981), Poliana Toussaint (1980) e Tathyana Santiago (1987).

O museu opera em regime especial, com a sala de longa exposição fechada na sede. A visita à mostra ocorre normalmente, mediante agendamento prévio. A abertura terá roda de conversa com as artistas e a pesquisadora Viviane Soares Aguiar, pós-doutoranda do Museu Paulista/USP.

A mostra foi desenhada conforme os eixos curatoriais do Plano Museológico 2025-2029, que incluem questões de gênero. "O plano foi pensado para dar voz ao que foi silenciado", afirma Carla Farias Cruz, curadora do museu.

As obras dialogam com a produção de mulheres do período colonial, como a poetisa Bárbara Heliodora (1759-1819), a ativista Hipólita Jacinta (1748-1828) e Maria Doroteia (1767-1853), musa de "Marília de Dirceu". O anel de noivado de Maria Doroteia, preservado no acervo, integra a exposição.

A parceria com a WG Galeria viabiliza a mostra. A artista têxtil Poliana Toussaint, natural de Belo Horizonte e hoje residente na França, usa 90% de fios reciclados em bordados. Carol Ambrósio trabalha com assemblages e materiais reutilizados. Tathyana Santiago, arquiteta, aplica cera de abelha em telas, em referência ao período colonial.

A exposição "Sala da vida privada" propõe reflexão sobre identidade e gênero. "Privado se trata de 'limitado', 'obliterado'", explica Carla. Visitação das 14h às 17h, com entrada franca, na Praça Tiradentes, 139, Centro.

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