Museu da Inconfidência abre mostra com mulheres no centro da história
O Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, completa 82 anos e abre neste sábado (5) a mostra coletiva "Sala da vida privada". A exposição propõe um diálogo entre objetos do acervo ligados às vidas social e privada no Brasil-Colônia e trabalhos contemporâneos, com leitura crítica sobre a relação das mulheres com os espaços domésticos.
Inaugurado em 1944, o museu é um dos mais visitados do país, com média de 350 mil visitantes por ano. A mostra integra o Programa de Exposições 2026 e fica em cartaz até 8 de novembro, com obras de Carol Ambrósio (1981), Poliana Toussaint (1980) e Tathyana Santiago (1987). A entrada é franca, com visitação das 14h às 17h, mediante agendamento prévio.
A curadoria é de Carla Farias Cruz, que destaca o papel do plano museológico 2025-2029: "O plano foi pensado para dar voz ao que foi silenciado". A exposição também coloca em diálogo a produção de mulheres do Brasil-Colônia, como a poetisa Bárbara Heliodora (1759-1819) e a ativista Hipólita Jacinta (1748-1828). O anel de noivado de Maria Doroteia Joaquina de Seixas Brandão (1767-1853), musa de "Marília de Dirceu", está entre os objetos preservados.
A mostra é realizada em parceria com a WG Galeria. A artista têxtil Poliana Toussaint, natural de Belo Horizonte e residente na França, explica: "Eu quis trazer o bordado para a arte contemporânea para tirá-lo daquela ideia de uma mulher silenciada e subordinada". Ela desenvolveu técnica própria com 90% dos fios de origem reciclada. Carol Ambrósio trabalha com assemblages e reutilização de materiais; Tathyana Santiago, arquiteta, usa cera de abelha em suas telas, em referência aos doces do período colonial.
O museu funciona em regime especial, com a sala de longa exposição fechada na sede, mas a mostra pode ser visitada normalmente. A inauguração inclui roda de conversa com as artistas e a pesquisadora Viviane Soares Aguiar, pós-doutoranda do Museu Paulista/USP. Para quem vive em Minas, a exposição reforça o papel do museu como espaço de debate sobre identidade e gênero, com entrada gratuita que amplia o acesso à cultura na região agenda cultural em Ouro Preto.