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Trump em convenção republicana: novo papel de destaque

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assume um novo papel de destaque na convenção republicana que ocorre nesta semana no Texas. O evento, idealizado por ele e para celebrá-lo, reúne líderes partidários e aliados em uma demonstração de lealdade sem precedentes para um meio de mandato. Trump marcará presença nas duas noites, acompanhando tudo de um camarote.

A convenção ocorre em um momento delicado: em 55 dias, os eleitores decidirão quem controlará o Congresso nos dois anos finais da presidência de Trump. Sua impopularidade gera ventos contrários, e alguns republicanos optaram por não comparecer às festividades em Dallas. Após as eleições, as atenções se voltarão para os possíveis sucessores, enquanto Trump enfrenta a contagem regressiva para deixar o poder.

"É difícil imaginar a política sem ele", disse Matt Schlapp, presidente da União Conservadora Americana. "Mas a realidade é que teremos de descobrir como lidar com isso." A fala reflete o dilema do partido: celebrar Trump agora, enquanto se prepara para o futuro.

A influência de Trump é visível em cada detalhe dos eventos conservadores. Seus bonés vermelhos, sua imagem e até sósias estão por toda parte. Em 2021, uma estátua dourada do presidente foi levada para a CPAC. O artista Jon McNaughton, famoso por retratar Trump como Atlas ou como a quinta face do Monte Rushmore, já pensa em como pintá-lo como figura histórica. "Trump se tornará cada vez mais um arquétipo em pinturas futuras", disse à CNN. "Trump representa restauração e ruptura, às vezes, simultaneamente."

O próprio Trump demonstra consciência do tempo. Recentemente, disse à "New York Magazine" que suas obras em Washington visam deixar marca duradoura, pois "ninguém fará isso depois que eu partir". Em evento na General Motors, imaginou-se vendo um sucessor receber créditos pelas fábricas que começou. "Por favor, vocês vão se lembrar de que fui eu quem fez isso?", perguntou.

Assessores sabem que Trump deixará de ser o centro das atenções conforme 2028 se aproxima. Ele tem consultado aliados sobre como evitar armadilhas do fim de mandato. "É por isso que ele tem estado tão focado em seu legado", disse uma autoridade da Casa Branca. Espera-se que ele influencie a escolha do sucessor, seja o vice JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio ou outro.

Sean Spicer, ex-secretário de imprensa, acredita que Trump continuará atraindo multidões. "Ninguém consegue atrair multidões como Trump", afirmou. Doug Heye, estrategista republicano, é direto: "Se Trump é diferente de todos os presidentes que já tivemos, achar que ele será apenas um presidente em fim de mandato comum é pura ilusão."

A próxima Convenção Nacional Republicana será a primeira desde 2012 sem Trump como indicado. Já houve um vislumbre: ele não compareceu à CPAC deste ano, também em Dallas. Schlapp notou que, sem Trump, "muitas outras dinâmicas puderam ocorrer".

Trump trata as eleições de meio de mandato como um ultimato. Sua operação política planeja mais de 30 comícios em estados decisivos. A MAGA Inc., um super PAC alinhado a ele, tinha US$ 400 milhões (cerca de R$ 2 bilhões) no mês passado. O grupo já investiu US$ 10 milhões (R$ 50,8 milhões) em publicidade para apoiar Ken Paxton, candidato ao Senado pelo Texas.

A estratégia testa se seus apoiadores comparecerão quando ele não estiver na cédula. Sua aprovação está em 35%, perto da média do primeiro mandato e abaixo da histórica. Joe Gruters, presidente do Partido Republicano, diz que Trump "transformou completamente o que é o Partido Republicano". Para ele, o apoio segue sólido. "Quando você está na parte baixa da nona entrada, com corredores em base e em desvantagem no placar, você quer que o seu melhor rebatedor entre em ação."

Ronaldo Pimenta
Repórter de Esporte Mineiro
Torcedor convertido em repórter, cobre o futebol de Minas com paixão controlada e imparcialidade entre rivais.
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