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Análise: Arábia Saudita e os houthis no Iêmen

Os houthis, grupo alinhado ao Irã no Iêmen, afirmaram ter atacado a Base Aérea Rei Khalid, em Khamis Mushait, na Arábia Saudita. Segundo o porta-voz militar do grupo, Yahya Saree, a ação teve como alvo instalações e infraestrutura militares.

A Arábia Saudita tem poucas opções contra os houthis: escalar o conflito, com custos elevados, ou buscar uma saída política, considerada tardia. Riad diz não querer guerra em larga escala, mas o avanço houthi no Iêmen pressiona por retaliação.

O grupo controla as áreas mais populosas do Iêmen e grande parte do norte do país. Desde julho, quando anunciou um bloqueio naval contra Riad, lança ataques contra embarcações sauditas no Mar Vermelho.

Nesta segunda-feira (14), a Defesa Civil da Arábia Saudita suspendeu os alertas de emergência após emitir avisos sobre possíveis riscos em quatro cidades do sul do país: Najran, Khamis Mushait, Jazan e Abha. Depois, voltou a emitir avisos para Khamis Mushait e Abha antes de suspendê-los novamente.

O avanço houthi e a rota de energia

Nesta semana, o grupo tomou a ilha de Perim, na entrada do Mar Vermelho, e a cidade portuária de Mocha, numa tentativa de controlar o estreito de Bab el-Mandeb, rota importante de energia. Pouco depois, o principal oleoduto de petróleo da Arábia Saudita foi fechado após ser atacado por drones vindos do Iraque. Nenhum grupo assumiu a responsabilidade, mas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atribuiu a ação a Teerã.

A Arábia Saudita passou a usar mais o oleoduto Leste-Oeste desde que a guerra com o Irã praticamente fechou o Estreito de Ormuz. A estrutura passou a desviar cerca de 5 milhões de barris de petróleo por dia que seriam destinados a petroleiros aguardando no Golfo Pérsico.

Custos de uma escalada

Se Riad decidir ir com tudo, o conflito pode se transformar em guerra sem prazo definido, semelhante à guerra civil do Iêmen, afirmou à CNN Cinzia Bianco, pesquisadora visitante do Conselho Europeu de Relações Exteriores. O conflito prolongado transformou o Iêmen na pior crise humanitária do mundo, com cerca de 22 milhões de pessoas, aproximadamente metade da população, necessitando de assistência humanitária.

Uma guerra em larga escala provavelmente envolveria o Irã, em guerra com os Estados Unidos desde fevereiro. Enquanto isso, é improvável que os EUA intervenham militarmente contra os houthis, segundo Bianco. Nos bastidores, Washington resiste à pressão saudita para se envolver nos combates, embora tenha enviado cerca de 100 assessores militares à Arábia Saudita para fornecer inteligência.

As ações do reino nos próximos dias podem significar um retorno à guerra em grande escala, além de provocar consequências importantes para o conflito entre Estados Unidos e Irã.

Cláudia Resende
Repórter de Saúde e Educação
De Juiz de Fora, cobre saúde pública e educação em MG com foco no que afeta a família mineira.
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