Aliados elogiam calma de Flávio em sabatina e citam derrapada sobre clima
Aliados de Flávio Bolsonaro comemoram postura calma em sabatina no Jornal Nacional, mas apontam derrapada sobre clima. Entenda o que foi avaliado.
Aliados do senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), comemoraram as falas "calmas" e a postura de "maturidade" dele em sabatina na noite desta sexta-feira (28) no Jornal Nacional, da TV Globo. Para aliados e integrantes da campanha ouvidos pela reportagem, Flávio passou por uma "prova de fogo" ao cumprir o objetivo de não se exaltar sob pressão, valorizar as perguntas e rebater questionamentos com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No início da sabatina, Flávio buscou se diferenciar de Lula ao acenar à apresentadora Renata Vasconcellos, em resposta a uma crítica do presidente a uma pergunta da jornalista na noite anterior. O gesto também serviu para aproximar o candidato do eleitorado feminino. Durante a semana, Flávio foi preparado pela equipe de comunicação, com destaque para o tema do pedido de patrocínio ao ex-banqueiro do Banco Master, Daniel Vorcaro. Ele passou o dia no Rio de Janeiro, sem compromissos públicos, se preparando para a entrevista.
Para aliados, Flávio seguiu o script combinado, sem deixar espaço para novas acusações do PT. Entre as estratégias para transmitir uma imagem de Bolsonaro "moderado", ele afirmou que jamais questionou o processo eleitoral e que respeitará os resultados das eleições.
Por outro lado, aliados consideram que o ponto mais fraco foi quando Flávio citou o saneamento básico como resposta para proteção contra mudanças climáticas e disse acreditar em eventos climáticos extremos, mas não acha que tenham relação direta apenas com ações humanas.
Apesar do tom de comemoração, Flávio deixou questões em aberto. Ele insistiu que a prestação pública sobre o pedido de patrocínio e os gastos com o filme "Dark Horse" já está à disposição da população, sem se comprometer a tornar mais nada público espontaneamente. O presidenciável também ficou dividido ao comentar falas do irmão Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal que mora nos Estados Unidos.
Flávio disse que Eduardo errou ao agradecer o tarifaço americano, num "mea culpa" pontual ensaiado, mas afirmou que o presidente dos EUA, Donald Trump, toma decisões independentemente de influências, não sendo possível responsabilizar Eduardo pelo tarifaço. Também disse que Eduardo teve a fala "distorcida" ao abrir espaço para negociações envolvendo o Pix.
Depois da sabatina, Flávio seguiu com parte da equipe para uma pizzaria no Rio de Janeiro. Embora vá participar de sabatinas, ele não vai participar de debates sem a presença de Lula. Para a campanha, enquanto Lula é a "série A" da disputa, os outros candidatos são a "série B", e sem Lula não haveria motivo para Flávio comparecer aos debates.