5 figuras que moldaram a Independência do Brasil
A Independência do Brasil, celebrada em 7 de setembro, não foi um ato solitário de Dom Pedro I. A historiografia recente mostra que a separação de Portugal envolveu articulação política, diplomática e bélica. Cinco figuras, além do príncipe, tiveram atuação decisiva entre 1821 e 1823.
Quem foram as 5 figuras que moldaram a Independência do Brasil? José Bonifácio de Andrada e Silva, Maria Leopoldina, Maria Quitéria de Jesus Medeiros e Joaquim Gonçalves Ledo, ao lado de Dom Pedro I, formam o grupo central. Cada um contribuiu de forma distinta: da administração do novo Estado à guerra na Bahia.
Dom Pedro I, então príncipe regente, enfrentava pressão das Cortes de Lisboa para retornar a Portugal. A recusa, apoiada por elites locais, culminou no Grito do Ipiranga. A frase "Independência ou Morte!" tornou-se símbolo, mas historiadores apontam que a decisão foi desfecho de meses de correspondência com conselheiros no Rio de Janeiro.
José Bonifácio, ministro do Reino e Estrangeiros, estruturou o projeto administrativo do novo Estado. Defendeu o fim gradual da escravidão, o que gerou atrito com a elite agrária. Em texto à Assembleia Constituinte, advertiu: "ou reformamos, ou a revolução se fará por si mesma, mas então será horrorosa". Recebeu o título de Patriarca da Independência ainda no século 19.
Maria Leopoldina, arquiduquesa da Áustria e esposa de Dom Pedro, presidiu o Conselho de Estado na ausência do marido. Recebeu despachos de Lisboa e, com José Bonifácio, redigiu correspondência recomendando resistência à pressão portuguesa. Assinava documentos como regente interina, papel que a historiografia recente reposiciona.
Na Bahia, a adesão à independência gerou conflito armado. Maria Quitéria de Jesus Medeiros alistou-se disfarçada de homem no Batalhão de Voluntários do Príncipe e lutou em Cachoeira e Pirajá. Descoberta, foi mantida na tropa pelo desempenho em campo e recebeu patente honorária de Dom Pedro I. O cerco a Salvador terminou em julho de 1823.
Joaquim Gonçalves Ledo, jornalista e maçom, publicava artigos favoráveis à autonomia e à convocação de assembleia constituinte. Integrou comissão que redigiu o primeiro projeto de Constituição, ao lado de Bonifácio, mas rompeu por divergências sobre o poder do imperador.
Essas trajetórias mostram que o 7 de setembro foi desfecho de disputa política que começou antes e continuou depois. Museus como o do Ipiranga, em São Paulo, e o Histórico Nacional, no Rio, ajudam a entender esse contexto.