Da zona rural aos palcos: menino que tocava boi em SC virou bailarino do Bolshoi
Aos 9 anos, Erick Swolkin vivia na zona rural de Joinville, andava a cavalo e tocava boi. Uma visita do Teatro Bolshoi na escola onde estudava mudou sua vida. Ele se tornou bailarino e integrou a companhia na Rússia por 10 anos. Hoje, atua na Alemanha.
A visita do Bolshoi a uma escola agrícola que mudou a vida de menino que 'tocava boi' em SC
Erick Swolkin, de 35 anos, foi uma criança como muitas outras que viviam na zona rural de Joinville, no Norte de Santa Catarina: andava a cavalo, corria no pasto e brincava com os amigos na rua. Sequer conhecia o balé clássico.
Uma visita do Teatro Bolshoi no Brasil na escola rural onde ele estudava, aos 9 anos, mudou o rumo da vida dele: o menino que "tocava boi" se tornou artista e, por 10 anos, integrou o Bolshoi na Rússia, uma das companhias de dança mais importantes e respeitadas do mundo.
Desde 2022, atua em um grupo na Alemanha. Ele é um dos 16 mil artistas inscritos no 43ª Festival de Dança de Joinville, que movimenta a cidade até 1º de agosto.
Como foi a infância de Erick Swolkin antes do balé
Erick é natural de São Paulo (SP), mas se mudou para Joinville na infância, após o pai aceitar uma proposta de emprego em Santa Catarina. A família deixou a cidade grande e se mudou para Rio Bonito, no distrito de Pirabeiraba, famoso pela forte ligação com o turismo rural, na zona norte de Joinville.
"Eu nunca tive contato com a dança, ou até mesmo com a cultura de dança. E não só balé. Tipo assim, eu andava a cavalo, eu vivia correndo no pasto, a gente tocava boi, brincando com meus amigos que moravam lá. A ideia daquela região, na época, era ir para a escola agrícola, e não se tornar bailarino", contou.
O teste que mudou tudo
Após a visita do Bolshoi na escola, passou a refletir sobre a possibilidade de aprender algo novo. Decidiu fazer o teste.
"O Bolshoi fez um 'motivacional' em todas as escolas municipais de Joinville, e a minha estava inclusa. E eu lembro que, quando comentaram se eu ia fazer ou não, todo mundo ficou: 'ah, o Erick?' Porque eu era tão da rua. Nunca fui uma pessoa que alguém imaginaria fazendo balé", comentou.
O apoio da família, de acordo com ele, foi fundamental para se dar bem na carreira. "Eu lembro que eu fiz o teste, passei no primeiro teste e falei: 'mãe, vou fazer balé'. Minha mãe disse: 'fala com teu pai'. Meu pai falou assim: 'Meu filho, faz'. Meu avô sempre gostou muito de dança, ele era da Polônia, eles vieram fugidos e tal, ele sempre gostou de valsa, de dança. Ele [meu pai] falou: 'Não, faz balé, pode fazer'", contou.
A trajetória no Bolshoi e no mundo
Ele entrou na Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, em Joinville, a única filial da famosa companhia de dança fora da Rússia, em 2001. Mesmo naquele ambiente, a certeza de que seguiria a carreira profissional levou anos para surgir. Ela só veio no quinto ano de curso, quando assistiu ao balé Spartacus.
Assim que se formou, entrou para a Cia Jovem Bolshoi Brasil, onde permaneceu por três anos. Em 2011, participou de uma audição para bailarinos estrangeiros no Teatro Bolshoi, na Rússia. Passou e, de 2012 a 2022, foi bailarino do corpo de baile da companhia.
Hoje ele atua no Staatsballett, principal companhia de Berlim, na Alemanha.
Segundo ele, a Escola Bolshoi em Joinville foi fundamental para tornar essa trajetória possível. "A escola me abriu uma janela para o mundo. Eu estudo várias coisas e nada, se não fosse a dança e a escola, poderia ter aberto essa janela. Hoje eu conheço o mundo inteiro graças à dança. Eu sou uma pessoa que já poderia ter parado de trabalhar graças à dança, mas eu amo tanto o que eu faço, que eu continuo sempre explorando cada vez mais", disse.
O Encontro de Egressos no Festival de Dança
Pelo décimo ano consecutivo, a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil promoveu o Encontro de Egressos, uma celebração que já se tornou tradição em julho, quando Joinville recebe o maior festival de dança do mundo. O evento ocorreu na última quinta (23) e reuniu mais de 120 egressos na Escola Bolshoi, entre bailarinos, solistas, artistas de companhias internacionais, professores, coreógrafos, profissionais da dança contemporânea e pessoas que seguiram outros caminhos profissionais.
Ao longo de 26 anos, a escola já formou mais de 500 bailarinos, dos quais 73% atuam profissionalmente na área da dança, espalhados por 29 países e cinco continentes.
Perguntas Frequentes
Quem é Erick Swolkin?
Erick Swolkin, de 35 anos, é um bailarino que começou no balé aos 9 anos após uma visita do Teatro Bolshoi na escola rural onde estudava em Joinville (SC). Integrou o Bolshoi na Rússia por 10 anos e hoje atua no Staatsballett, em Berlim.
Como foi a infância de Erick Swolkin?
Ele cresceu na zona rural de Joinville, no distrito de Rio Bonito, andando a cavalo, correndo no pasto e tocando boi. A família se mudou de São Paulo para Santa Catarina após o pai aceitar uma proposta de emprego.
Qual a relação do Bolshoi com Joinville?
A Escola do Teatro Bolshoi no Brasil é a única filial do Teatro Bolshoi de Moscou fora da Rússia. Foi fundada em 2000 em Joinville, cidade mais populosa de Santa Catarina, e possui alunos de vários estados brasileiros e de outros países.
Quantos bailarinos a Escola Bolshoi já formou?
Em 26 anos, a escola formou mais de 500 bailarinos, dos quais 73% atuam profissionalmente na dança, espalhados por 29 países e cinco continentes.
O que é o Encontro de Egressos do Bolshoi?
É uma celebração anual que reúne ex-alunos da Escola Bolshoi durante o Festival de Dança de Joinville. Em 2026, o encontro ocorreu na quinta (23) e reuniu mais de 120 egressos.