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Testes de glicose em escola: riscos de compartilhar agulhas

ResumoO Colégio Tamandaré, no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro, teria compartilhado a mesma agulha entre várias pessoas durante testes de glicose em uma feira de ciências, com ao menos 20 expostos. Compartilhar agulhas sem esterilização transmite HIV, hepatites B e C, exigindo testagem e acompanhamento médico imediatos.

Uma mesma agulha teria sido compartilhada entre várias pessoas durante testes de glicose em uma feira de ciências no Colégio Tamandaré, no Recreio dos Bandeirantes. Ao menos 20 pessoas relataram exposição. Entenda os riscos e o que fazer.

Marília Stefani
Marília Stefani Repórter de Segurança Pública · 16 de setembro de 2026 · 7 min de leitura
Testes de glicose em escola: riscos de compartilhar agulhas

Uma mesma agulha teria sido compartilhada entre várias pessoas durante uma coleta de sangue para testes de glicose em uma Feira de Ciências do Colégio Tamandaré, no Recreio dos Bandeirantes, zona Sudoeste do Rio, no sábado (12). Ao menos 20 pessoas relataram ter sido expostas após o compartilhamento de lancetas na escola. A atividade não era autorizada e foi interrompida após ser identificada.

O compartilhamento de agulhas em testes de glicose pode transmitir HIV, hepatite B e hepatite C. Após exposição, a recomendação é procurar atendimento médico em até 72 horas para avaliar profilaxia pós-exposição, vacinação ou imunoglobulina, conforme o caso.

O que aconteceu no Colégio Tamandaré

O episódio ocorreu durante uma feira de ciências realizada no sábado (12). A instituição informou que a atividade não era autorizada e foi interrompida assim que identificada. Segundo a direção, os responsáveis por alunos que tiveram o dedo perfurado foram orientados a procurar atendimento médico.

Até o momento, conforme a escola, os testes informados apresentaram resultado negativo. Na última terça-feira (14), uma equipe de saúde esteve na unidade para orientar estudantes e responsáveis. O colégio também contratou uma infectologista pediátrica para acompanhar os casos.

A reportagem procurou a instituição para obter mais detalhes sobre como as lancetas foram compartilhadas e quais medidas serão adotadas. O espaço permanece aberto para manifestação.

Quais os riscos de compartilhar agulhas?

A infectologista Janaína Teixeira explica que o principal risco é a transmissão de infecções virais. Os três vírus com maior potencial de transmissão nessa situação são o HIV, a hepatite B e a hepatite C.

"Uma pessoa contaminada por um vírus, se compartilhar a agulha que utilizou com outra pessoa, pode transmitir esse vírus. Infecções virais podem evoluir ao longo do tempo, inclusive de forma assintomática, e depois evoluir para quadros mais graves e levar à morte, como o próprio HIV, que se não tratado, pode levar o paciente a óbito", afirma a especialista, que também é professora da Afya Educação Médica de São Paulo.

A médica destaca que o risco não se limita ao momento imediato. Infecções virais podem permanecer silenciosas por longos períodos antes de se manifestarem. Por isso, o acompanhamento médico após a exposição é considerado fundamental.

O que fazer após compartilhar uma agulha

Após ser infectado, é necessário procurar atendimento de forma rápida para evitar complicações, no máximo 72 horas. Esse prazo é essencial para que medidas profiláticas possam ser adotadas com maior eficácia.

"Durante o atendimento médico existe, por exemplo para o HIV, o uso da profilaxia pós-exposição. Ou seja, você desconhece o status sorológico da pessoa com quem compartilhou a agulha, mas pode receber o antirretroviral, o medicamento para diminuir o risco de transmissão e de adquirir esse vírus", explica Janaína Teixeira.

No caso da hepatite B, a especialista esclarece que também há medidas específicas. "Pode acontecer tanto a vacinação, para fornecer partículas do vírus para a pessoa produzir seus próprios anticorpos, quanto o fornecimento de imunoglobulina, que é o anticorpo pronto contra a hepatite B", diz.

Para a hepatite C, não existe vacina ou profilaxia específica. O paciente pode ser acompanhado por um médico de três até seis meses depois da infecção para monitorar possíveis sinais da doença.

Como funciona o atendimento pós-exposição

O atendimento médico após exposição a material biológico segue protocolos definidos por autoridades de saúde. A avaliação considera o tipo de exposição, o tempo transcorrido e o status sorológico conhecido ou desconhecido da fonte.

De forma geral, o fluxo inclui:

  1. Avaliação clínica imediata para verificar o tipo de exposição e o tempo decorrido.
  2. Coleta de sangue para testagem inicial, quando indicado.
  3. Indicação de profilaxia pós-exposição para HIV, se aplicável, preferencialmente nas primeiras horas.
  4. Verificação da situação vacinal para hepatite B e indicação de imunoglobulina, quando necessário.
  5. Agendamento de retornos para acompanhamento sorológico ao longo de meses.

A rapidez na busca por atendimento é o fator que mais influencia a eficácia das medidas disponíveis. Quanto antes o paciente for avaliado, maiores são as chances de reduzir o risco de transmissão.

O que diz a escola e quais medidas foram adotadas

A instituição de ensino orientou os responsáveis por alunos que tiveram o dedo perfurado a procurar atendimento médico. Até o momento, segundo a direção, os testes informados à escola apresentaram resultado negativo.

Na última terça-feira (14), uma equipe de saúde esteve na unidade para orientar estudantes e responsáveis. O colégio também contratou uma infectologista pediátrica para acompanhar os casos.

A escola não informou quantos alunos participaram da atividade ou quantas lancetas foram utilizadas. Também não detalhou como a feira de ciências foi organizada nem quem era o responsável pela coleta.

Riscos além do HIV e das hepatites

Embora a infectologista cite HIV, hepatite B e hepatite C como os três principais vírus transmitidos por compartilhamento de agulhas, outras infecções também podem ser transmitidas por essa via. Entre elas, a sífilis é mencionada por autoridades de saúde como uma infecção bacteriana com potencial de transmissão sanguínea.

A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum e pode ser transmitida por contato com sangue contaminado. O diagnóstico é feito por exame de sangue, e o tratamento é feito com antibióticos, geralmente penicilina benzatina.

A orientação é que qualquer pessoa exposta a compartilhamento de agulhas procure avaliação médica para que todos os riscos sejam avaliados individualmente.

O que dizem as autoridades de saúde

O compartilhamento de agulhas e lancetas é uma prática que contraria as normas de biossegurança. Materiais perfurocortantes devem ser de uso individual e descartados imediatamente após o uso em recipientes apropriados.

Em ambientes escolares, atividades que envolvem coleta de sangue, mesmo para testes de glicose, exigem autorização, supervisão de profissional habilitado e materiais descartáveis. A ausência desses requisitos configura risco sanitário.

A Vigilância Sanitária é o órgão responsável por fiscalizar estabelecimentos de saúde e atividades que envolvem risco sanitário, incluindo escolas que realizam procedimentos invasivos. A reportagem não localizou informações sobre notificação formal do caso à vigilância.

O que esperar dos próximos dias

Os alunos e visitantes que tiveram o dedo perfurado devem seguir as orientações médicas recebidas. O acompanhamento sorológico pode se estender por meses, especialmente para hepatite C, cujo período de incubação pode ser longo.

A escola informou que os testes já realizados apresentaram resultado negativo, mas novos exames podem ser solicitados ao longo do acompanhamento. A contratação de uma infectologista pediátrica indica que a instituição pretende monitorar os casos de perto.

A comunidade escolar aguarda esclarecimentos sobre como a atividade foi autorizada e quais medidas serão adotadas para evitar que situações semelhantes ocorram. O caso também levanta discussão sobre a necessidade de protocolos mais rígidos para atividades práticas em feiras de ciências.

Perguntas Frequentes

Quais doenças podem ser transmitidas ao compartilhar agulhas?

Os três principais vírus são HIV, hepatite B e hepatite C. A sífilis também pode ser transmitida por contato sanguíneo. Outras infecções bacterianas e virais podem ocorrer, dependendo do material contaminado.

Qual o prazo para procurar atendimento após compartilhar uma agulha?

O ideal é procurar atendimento em até 72 horas. Quanto mais rápido, maior a eficácia das medidas de profilaxia, especialmente para o HIV.

Existe vacina ou tratamento após exposição à hepatite B?

Sim. Pode ser feita a vacinação para estimular a produção de anticorpos ou o fornecimento de imunoglobulina, que é o anticorpo pronto contra a hepatite B.

E para hepatite C, existe profilaxia?

Não há vacina ou profilaxia específica para hepatite C. O paciente pode ser acompanhado por um médico de três até seis meses depois da infecção para monitorar possíveis sinais da doença.

O que é profilaxia pós-exposição para HIV?

É o uso de medicamentos antirretrovirais após uma possível exposição ao vírus, com o objetivo de reduzir o risco de transmissão e de adquirir a infecção. O tratamento deve ser iniciado o quanto antes, preferencialmente nas primeiras horas após a exposição.

Os testes de glicose em escolas são autorizados?

Atividades que envolvem coleta de sangue exigem autorização, supervisão de profissional habilitado e materiais descartáveis de uso individual. No caso do Colégio Tamandaré, a instituição informou que a atividade não era autorizada e foi interrompida após ser identificada.

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