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Tabus do amor: nervosismo não é sinal de paixão

O colunista Fabrício Carpinejar, que escreve às sextas no Magazine e no Portal O Tempo, publicou uma reflexão sobre o que chama de tabus do amor. O texto sustenta que aprendemos a ler o nervosismo como prova de paixão, quando ele é, na verdade, advertência.

Nervosismo é desconforto, não sintoma de sentimento raro. É o aviso de que aquela pessoa não é a ideal, porque você não se sente à vontade para ser quem realmente é. O que parece borboleta no estômago é morcego rondando a cabeça.

O que o corpo tenta dizer antes do envolvimento

Segundo o colunista, quem desperta o gatilho do pânico tensiona a mobilidade e corta a espontaneidade. Os encontros ficam difíceis, tortuosos, indiretos, ambíguos. Não porque o par deixa sem ar, mas porque sufoca e não deixa espaço para completar o raciocínio.

A vertigem e o batimento disparado significam mal-estar, nada de contos de fadas. São avisos de que o corpo se fragiliza diante de uma presença. É o pressentimento de que não se deve seguir adiante, já que o pretendente não respeita o ritmo, e a pessoa fica pisando em ovos.

O passo seguinte, escreve Carpinejar, é mentir para agradar, fingir para forçar correspondência e anular a própria personalidade para não gerar atritos, num apagão da alegria.

Como o amor se apresenta, segundo o texto

O amor traz paz, calmaria, tranquilidade, reciprocidade. Nem os silêncios incomodam: são pausas do encantamento e da admiração, para se olhar fundo nos olhos. É como conhecer a pessoa há muito tempo e confidenciar o que nunca se disse a ninguém.

O amor não é enfrentamento, constrangimento nem choque. Caracteriza-se pela leveza da comunicação, pela sintonia de ideias, pela cumplicidade de projetos e sonhos. As perguntas e respostas se desdobram naturalmente, sem acusação, sem juízo de valor, sem sermão. É quando a alma é vista pela fresta dos gestos.

Convém derrubar os rótulos de comportamento e a padronização emocional que levam a amar errado e a confundir amor com apreensão, pressão, chantagem e ultimato. A impressão de que, sem resposta imediata, o relacionamento se dissipa, é armadilha.

Se o mundo está contra você, não é destino. Se não existe compreensão orgânica, de pele e palavras, não é a companhia de que se precisa. O colunista recomenda suspeitar do medo de perder o outro no início do namoro: é a fábrica do ciúme e da possessividade produzindo os primeiros danos.

Vânia Drummond
Repórter de Cultura Mineira
De Ouro Preto, cobre cultura e patrimônio de Minas, do barroco ao festival de inverno com olhar afetivo.
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