# Ser gentil vai além do por favor, dizem especialistas

> A gentileza é uma habilidade socioemocional que ultrapassa normas de educação, como dizer por favor ou obrigado. Psicólogas explicam que o gesto exige perceber as necessidades do outro e agir com empatia, como dar bom dia a um desconhecido ou segurar a porta do elevador. Essas ações breves fortalecem vínculos e podem transformar o dia de quem as recebe.

*Portal Notícias MG · Comunidade · 17 de setembro de 2026 · Inácio Bicalho*

Dar bom dia a um desconhecido ou segurar a porta do elevador leva segundos, mas pode mudar o dia de alguém. Psicólogas explicam por que a gentileza vai além da educação e exige perceber o outro.

Dar bom dia a um desconhecido, segurar a porta do elevador, elogiar alguém de repente ou levar um café para um colega. São gestos de poucos segundos, mas capazes de mudar o dia de quem recebe. Na correria, essas chances de gentileza passam batido.

A psicóloga Ana Clara Gomes Braga, formada e mestre em Cognição e Comportamento pela UFMG, diz que existe diferença entre ser educado e ser gentil. A educação está mais ligada às regras de convivência e às habilidades sociais aprendidas. A gentileza envolve algo a mais: a capacidade de perceber o outro e se mobilizar a partir disso.

Ela explica que a gentileza vem de um lugar muito mais relacionado à empatia. Do ponto de vista da neurociência, fala-se de uma área do cérebro ligada à percepção do outro e ao movimento que nasce quando o sofrimento alheio ressoa em você. A educação, por sua vez, é mais performática, mas não no sentido negativo: é um aprendizado para permear alguns meios.

A especialista ressalta que a gentileza pode ser desenvolvida ao longo da vida. As pessoas têm experiências e oportunidades diferentes nesse processo, o que influencia o desenvolvimento da empatia e da compaixão. Fatores culturais pesam na forma como homens e mulheres são ensinados a lidar com o cuidado e com as emoções.

"O machismo faz com que os homens não recebam ensinamentos de cuidados", afirma Ana Clara. Para ela, desenvolver empatia exige olhar para trás e entender o primeiro passo: perceber que o que você sente, pensa e vive é diferente do que a outra pessoa sente, pensa e vive. Classe social, idade e gênero também influenciam como percebemos e praticamos a gentileza.

Se pequenos gestos produzem acolhimento e conexão, atitudes aparentemente banais podem provocar o contrário. É aí que entram as microagressões: comportamentos, falas ou mudanças de postura que, para quem pratica, parecem insignificantes, mas para quem recebe carregam peso maior. Elas aparecem no racismo, no etarismo, no machismo e em formas de preconceito muitas vezes naturalizadas.

Para a psicóloga e especialista em terapia metacognitiva Renata Borja, um sorriso, um agradecimento ou dar passagem no trânsito parecem pequenos, mas produzem efeitos que vão além do instante. A gentileza funciona como conexão em um cotidiano marcado pela pressa e pelo estado de alerta. Atitudes como elogiar, agradecer, ser generoso ou ajudar alguém estão associadas à liberação de ocitocina, hormônio ligado ao prazer e ao bem-estar, tanto em quem pratica quanto em quem recebe.

"Estamos tão focados nas nossas tarefas que muitas vezes deixamos de perceber o mundo à nossa volta e as pequenas coisas que podem ser importantes para outras pessoas", conclui Renata. empatia no ambiente de trabalho

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Fonte (canonical): https://portalnoticiasmg.com.br/comunidade/ser-gentil-vai-alem-por-favor-exige-aprender-perceber-outro-dizem-especialistas/
