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Projeto que virou pão: arquitetos de BH na panificação

ResumoAndré Gabrich, Renata Rocha e Camilo Gazzinelli são arquitetos de Belo Horizonte que migraram para a panificação artesanal, transformando o ofício de arquiteto em método e estética aplicados à massa. Nenhum se considera ex-arquiteto, mantendo a formação como base do trabalho atual na panificação.

André Gabrich, Renata Rocha e Camilo Gazzinelli deixaram a rotina de projetos para viver da panificação em Belo Horizonte. Nenhum se considera ex-arquiteto: o ofício antigo virou método, estética e jeito de trabalhar a massa.

Sérgio Tadeu Mafra
Sérgio Tadeu Mafra Repórter de Economia Regional · 14 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Projeto que virou pão: arquitetos de BH na panificação

André Gabrich passou mais de 20 anos projetando, boa parte na área de licitações públicas, onde aprendeu a lidar com prazos, normas e contratos. Nos últimos anos, porém, o trabalho virou gestão de problemas que chegavam depois do projeto, sobretudo em segurança pública e saúde mental. "Passamos a não projetar e a gerenciar problemas e conflitos", conta. "Era hora de mudar". A nova direção veio da cozinha.

Autodidata na panificação, André começou fazendo pães e folhados para amigos, com o croissant entre os primeiros desafios. Foram meses de testes até confiar que uma fornada chegaria ao cliente com a mesma qualidade da anterior. "Até hoje, enquanto uma fornada não sair igual à outra por várias vezes, eu não coloco o produto à venda", diz. Em maio de 2024 vendeu seus pães pela primeira vez, em um evento, e gostou da correria das vendas e do contato com quem estava do outro lado do balcão. Em dezembro, seu panetone ficou em primeiro lugar entre os jurados em degustação às cegas promovida pelo jornal O TEMPO. Em outubro, pretende inaugurar a Dedé Pães, no bairro Anchieta.

A história encontra eco em outros dois arquitetos de Belo Horizonte. Renata Rocha, fundadora da Albertina Pães Especiais, trabalhava com arquitetura de eventos para clientes corporativos. "Tudo era para ontem, pois hoje já teríamos um novo projeto", relembra. Leu "Cozinhar: Uma história natural da transformação", de Michael Pollan, e começou um fermento natural próprio. A mudança levou cerca de sete anos. "Algumas receitas precisam começar no início da semana para que um pão exista dias depois", explica. "É um exercício constante de espera, observação, resiliência e humildade".

Camilo Gazzinelli criou com Luciana Martins o ateliê Cum Panio. "Continuo arquiteto", afirma. As viagens por Ásia, África, Europa e Américas ampliaram seu repertório sobre pães. "Faço pães com olhos de arquiteto", resume. Renata levou para a padaria a metodologia do projeto. "A arquitetura me ensinou a transformar um olhar poético em metodologias, sistemas, números e equações que possam ser resolvidas e concretizadas", diz. Nenhum dos três se considera ex-arquiteto. "Sou e sempre serei arquiteta, mas agora exerço o ofício de padeira", afirma Renata. André vai na mesma direção: "Sou da época do desenho à mão; voltar a trabalhar assim me dá o mesmo prazer que tinha no início de carreira como arquiteto".

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