# Professores de escolas particulares de BH entram em greve

> Professores de escolas particulares de Belo Horizonte e região iniciaram greve por tempo indeterminado em 16 de abril, após impasse nas negociações da campanha salarial com as instituições de ensino. A paralisação afeta aulas na capital mineira e municípios vizinhos, enquanto o sindicato da categoria e os representantes das escolas mantêm as negociações salariais sem acordo até o momento.

*Portal Notícias MG · Comunidade · 17 de setembro de 2026 · Sérgio Tadeu Mafra*

Professores de escolas particulares de Belo Horizonte e região entraram em greve por tempo indeterminado nesta quarta-feira (16). A paralisação ocorre em meio ao impasse nas negociações da campanha salarial com as escolas.

Professores de escolas particulares de Belo Horizonte e região entraram em greve por tempo indeterminado nesta quarta-feira (16). A decisão foi tomada em assembleia realizada pela manhã, no auditório do Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro Minas), após a categoria avaliar a paralisação realizada no mesmo dia.

O movimento afeta diretamente a rotina de famílias que dependem das escolas para trabalhar e de docentes que têm parte do salário definida pelas regras da convenção coletiva. A greve ocorre em meio ao impasse nas negociações da campanha salarial entre professores e representantes das escolas particulares.

Segundo o Sinpro Minas, a categoria rejeita a proposta de dividir a atual Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2025/2026 em dois documentos: um para docentes da educação básica e outro para professores do ensino superior. A convenção está vencida desde 31 de março. De acordo com o sindicato, o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinepe/MG) condiciona a renovação do documento à divisão entre os dois segmentos de ensino.

Os professores defendem a manutenção da convenção atual e pedem reajuste salarial de 3,77%, correspondente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). As negociações estão sendo discutidas no Tribunal Regional do Trabalho, por meio de dissídio coletivo.

A presidenta do Sinpro Minas, Valéria Morato, afirma em nota que a categoria tentou manter as negociações. "Desde o início a categoria tem se mostrado aberta ao diálogo. Tanto é que os docentes propuseram renovar a convenção atual, sem alterações, no entanto aceitaram criar um cronograma para discutir o tema, mesmo sabendo dos riscos que ele representa. Mas o patronal não quer negociar. Eles querem impor essa condição, que é extremamente prejudicial à categoria.", disse Valéria.

O Sinpro Minas afirma que, sem uma nova convenção assinada, mais de 50 cláusulas que garantem direitos aos professores estão suspensas. Entre os direitos citados estão piso salarial por aula, isonomia entre professores antigos e recém-contratados, bolsas de estudo para docentes e dependentes, limite de duração da aula e do intervalo, proibição de trabalho aos domingos e feriados, férias coletivas em janeiro, estabilidade para representantes sindicais em escolas de grande porte e multa de 6% para instituições que descumprirem o acordo.

Segundo levantamento apresentado pela entidade com base nos dados da CCT 2025/2026, parte da remuneração dos professores depende diretamente das regras estabelecidas pela convenção. Essa parcela varia de 35% a 48% do salário, conforme o tempo de carreira.

"No momento, a única forma de resistência que nos resta é a greve. Precisamos dizer que nosso trabalho vale muito e que sabemos disso.", reafirma Valéria Morato em nota emitida pelo Sinpro.

Em nota divulgada nas redes sociais, o Sinepe-MG saudou "professores, diretores, gestores, educadores, pais e responsáveis que mantiveram as escolas mineiras abertas". A entidade afirmou que a maioria dos colégios permanece funcionando mesmo com a paralisação. A postagem atesta que das 4.200 escolas particulares de MG, somente seis, todas de Belo Horizonte, relataram dificuldades em seguir com a programação normal.

O órgão condena a greve e afirma que é "uma tentativa de transformar a escola particular mineira em palco de disputa política" e ainda "sob risco de desviar o ambiente escolar de sua verdadeira finalidade, que é educar e formar as novas gerações", como divulgado em nota.

Uma nova assembleia do Sinpro Minas está marcada para sexta-feira (18), às 9h30, no auditório da Fundac, na rua Diamantina, 463, no bairro Lagoinha, em Belo Horizonte. O encontro deverá definir os próximos passos do movimento grevista.

---

Fonte (canonical): https://portalnoticiasmg.com.br/comunidade/professores-escolas-particulares-bh-entram-greve/
