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Não somos paisagens: idosos e o voto em outubro

ResumoIdosos representam parcela crescente do eleitorado brasileiro, mas permanecem ausentes dos compromissos de campanha dos candidatos nas eleições de outubro. A invisibilidade dessa população nas propostas políticas configura violência silenciosa que não aparece nas estatísticas oficiais.

A invisibilidade das pessoas idosas é uma violência silenciosa que não aparece nas estatísticas. Com as eleições de outubro no horizonte, a pergunta que fica é: onde estão os idosos nos compromissos dos candidatos?

Vânia Drummond
Vânia Drummond Repórter de Cultura Mineira · 14 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Não somos paisagens: idosos e o voto em outubro

Existe uma violência que não deixa marcas, mas machuca fundo. É silenciosa, não aparece nas estatísticas e está presente no nosso cotidiano: a invisibilidade das pessoas idosas. Quando uma pessoa idosa está diante de nós e não é vista, algo se rompe na cidade.

Essa maioria está no ônibus, na fila do banco, no caixa do supermercado. Está na igreja. Está em muitos lugares. Mas a cidade passa por ela como se fosse apenas parte da paisagem urbana. Morta. As pessoas idosas não estão mortas para a vida. Não são paisagens.

Paisagem a gente observa. Pessoa a gente escuta. Paisagem não reclama. Pessoa reivindica. Paisagem não vota. Pessoa escolhe os destinos da cidade pelo voto. E o momento é oportuno para apresentar aos candidatos e às candidatas às eleições de outubro uma pergunta direta: onde estão as pessoas idosas nos seus compromissos políticos?

Uma cidade que envelhece, como a nossa, precisa de mais do que rampas, bancos e ônibus acessíveis. Precisa combater o preconceito etário. Garantir moradia, mobilidade, segurança, cultura, lazer, saúde, trabalho e participação social. Envelhecer não pode levar ao desaparecimento. Pelo contrário.

Celebramos a longevidade nos discursos oficiais e, ao mesmo tempo, retiramos das pessoas idosas o direito de decidirem sobre as próprias vidas. Isso precisa mudar. A velhice não é um problema urbano: é parte da solução. A experiência de quem viveu décadas pode ajudar a cidade a cometer menos erros, construir melhores relações e enxergar o que a pressa dos mais jovens não percebe.

É urgente trocar o olhar de coitado pelo olhar de cidadania. A tutela pelo protagonismo. O silêncio pela participação. A cidade que envelhece precisa parar de olhar as pessoas idosas como paisagens. Não somos paisagens. Paisagens ficam paradas: pessoas idosas continuam vivendo, trabalhando, amando, errando, aprendendo, votando, criando e desejando uma cidade que seja sua amiga.

Se a cidade teima em não enxergar quem já envelheceu, como pretende acolher quem ainda vai envelhecer? Vamos precisar de todo mundo. Já vivemos mais. O desafio continua: viver melhor. Precisamos sair da imagem da pessoa idosa como alguém frágil, dependente, objeto de cuidado, para o reconhecimento de sua força política e de sua cidadania. Com direitos de envelhecer com saúde, mobilidade, moradia, segurança, cultura, trabalho e participação social como parte ativa da cidade. Entrar para valer no orçamento público municipal.

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