Música gerada por IA pode ser considerada arte? Entenda
Uma música criada por inteligência artificial pode, sim, ser considerada arte. A afirmação é de Kevin Leyser, doutor em Educação e coordenador de cursos da UNIASSELVI, para quem a emoção provocada por uma canção artificial é uma experiência humana genuína. O arrepio, a lembrança ou o consolo que uma música desperta não são falsos, independentemente de como a obra foi gerada.
Sim, uma música criada por IA pode ser considerada arte. Segundo Kevin Leyser, doutor em Educação e coordenador de cursos da UNIASSELVI, a emoção provocada por uma canção artificial é uma experiência humana genuína. O arrepio, a lembrança ou o consolo que ela desperta não são falsos, independentemente de como a obra foi gerada.
A inteligência artificial tem crescido exponencialmente na indústria musical, levando plataformas como o Spotify a implementar selos de identificação. Em junho de 2026, faixas de IA representaram mais de 50% das novas músicas enviadas diariamente à Deezer, evidenciando a rápida adoção da tecnologia.
Para lidar com o aumento de músicas geradas por inteligência artificial, as plataformas de streaming estão implementando medidas de identificação:
- Spotify: A partir de meados de setembro, exibirá o selo "AI Persona" em perfis de artistas gerados por IA e os "AI Credits", que informam como a inteligência artificial participou da criação da faixa.
- Deezer: Uma pesquisa com a Ipsos revelou que 97% dos brasileiros não conseguem distinguir músicas feitas por humanos daquelas geradas por IA. A pesquisa também mostrou que 77% dos brasileiros acreditam que faixas produzidas artificialmente deveriam ser claramente identificadas.
A discussão sobre autoria em músicas criadas por inteligência artificial é fundamental para reconhecer quem assume as escolhas e os efeitos de uma obra. Leyser explica que criar não é apenas produzir algo novo, mas também assumir uma posição diante do mundo e responder pelas escolhas realizadas no processo criativo.
A inteligência artificial já ocupa diversos espaços na cultura. Durante a Copa do Mundo de 2026, a Deezer identificou mais de 180 faixas em álbuns chamados "Copa do Mundo 2026" no Brasil. Dessas, 71% foram classificadas como geradas por IA. Globalmente, mais de 70% das canções com o título "World Cup 2026" também foram produzidas com a tecnologia.
Leyser vê esse fenômeno não como uma perda, mas como uma transformação da criatividade, que emerge da colaboração entre pessoas, tecnologias e inteligências artificiais. Com sistemas de IA cada vez mais convincentes, a alfabetização midiática precisa se adaptar. É essencial aprender a questionar como um conteúdo foi produzido, por quem e com qual finalidade.
A autoria, nesse contexto, muda de lugar: deixa de ser apenas a pergunta sobre quem fez uma obra e passa a envolver quem tomou decisões, quais relações tornaram aquela criação possível e quem responde por sua presença no mundo.