MPF investiga grave deterioração na saúde Yanomami
O MPF abriu investigação após fiscalização na comunidade Koribi, na Terra Yanomami, encontrar malária, leishmaniose e outros agravos entre 29 moradores. Cenário foi classificado como 'grave deterioração' da saúde.
O Ministério Público Federal (MPF) abriu, nesta terça-feira (25), investigação para acompanhar a assistência à saúde dos indígenas da comunidade Koribi, na região do Alto Catrimani, na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. A decisão veio após fiscalização que encontrou casos de malária, doenças respiratórias, verminose e leishmaniose entre os 29 moradores da comunidade, cenário classificado como "grave deterioração" das condições de saúde.
A responsabilidade de atender os indígenas é do governo federal, por meio do Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (DSEI-Yanomami), vinculado ao Ministério da Saúde. Durante a fiscalização, moradores relataram a "ausência prolongada de equipe de saúde". O DSEI-Yanomami apresentou um plano de atendimento, mas não respondeu a todos os questionamentos.
Na visita, realizada no dia 13 de fevereiro de 2026, uma criança com suspeita de leishmaniose precisou ser removida para o Centro de Saúde do Surucucu. O documento do DSEI-Y enviado ao Ministério da Saúde estava "desacompanhado da documentação comprobatória requisitada e apresentou cronograma assistencial expressamente condicionado a critérios logísticos e operacionais, sem notícia de execução posterior ao mês de abril de 2026".
O procurador responsável, Alisson Marugal, determinou que o procedimento tenha acesso público, em observância ao princípio da transparência. A abertura do procedimento permitirá acompanhar de forma permanente a execução das políticas públicas de saúde voltadas à comunidade indígena e cobrar informações dos órgãos responsáveis.
A Terra Yanomami é o maior território indígena do Brasil, com quase 10 milhões de hectares entre Roraima, Amazonas e parte da Venezuela. Até dezembro de 2025, o garimpo ilegal destruiu 5.564 hectares da região, segundo levantamento. A maior parte da destruição ocorreu antes de 2023, ano em que o governo federal decretou situação de emergência.
O g1 entrou em contato com o Ministério da Saúde, mas até a publicação da reportagem não houve resposta.