Morre Pretinha, cadela funcionária de prefeitura na Grande BH
A cadela vira-lata resgatada em situação de abandono por servidores de Ibirité morreu na noite de quinta-feira (10/9). Pretinha virou mascote da prefeitura, ganhou crachá e chegou a ter perfil próprio nas redes sociais.
Pretinha, a cadela vira-lata que se tornou mascote da Prefeitura Municipal de Ibirité, na Grande BH, morreu na noite da última quinta-feira (10/9). A prefeitura publicou uma homenagem nas redes sociais ao animal que, por 13 anos, circulou pelo prédio como uma "funcionária" do Executivo.
A cadela foi resgatada por funcionários nas proximidades da prefeitura em situação de abandono, debilitada, desnutrida e com problemas de saúde. Os servidores passaram a alimentá-la e cuidar dela. Inicialmente, Pretinha ficava no estacionamento, mas acabou conquistando espaço dentro do prédio e passou a circular livremente por praticamente todos os setores.
Ela ganhou uma casinha, cama, alimentação e atendimento veterinário, além de um crachá com a identificação "Pretinha Mascote". A prefeitura brincava com a ideia de que ela era uma "funcionária" ou "servidora" do município. Recebia visitantes, acompanhava os vigias e tinha acesso até ao gabinete do prefeito.
Mascote virou garota-propaganda da causa animal
Pretinha também se tornou uma espécie de garota-propaganda da causa animal em Ibirité. Aparecia em campanhas de vacinação, castração, combate ao abandono e aos maus-tratos e em ações de educação ambiental. Chegou a ter perfil próprio nas redes sociais.
Em nota, a prefeitura afirmou que a cadela fez da sede do Executivo a sua casa. "Por 13 anos, a Pretinha fez da Prefeitura a sua casa. Esteve presente na rotina de servidores e das tantas pessoas que passam por aqui, conquistando carinho, cuidado e um lugar especial na nossa história. (...). Sua ausência já é sentida por todos, mas ficam o carinho, a gratidão e as muitas lembranças construídas", diz o texto.
O que a história de Pretinha revela sobre gestão de animais abandonados
A trajetória da cadela em Ibirité expõe uma prática recorrente em prédios públicos e empresas: o acolhimento informal de animais em situação de rua por servidores, sem política estruturada de adoção ou guarda responsável. Pretinha recebeu cuidados veterinários e moradia dentro da prefeitura, mas a fonte não informa se o município mantém programa permanente de castração, identificação ou encaminhamento para adoção de outros animais resgatados.
O caso ganhou visibilidade porque uniu dois elementos: a rotina de um órgão público e o vínculo afetivo construído ao longo de mais de uma década. A prefeitura não divulgou detalhes sobre a causa da morte nem sobre a existência de outros animais acolhidos no prédio.
Para quem acompanha políticas de proteção animal, a história de Pretinha serve como referência de como a presença de um animal pode humanizar o ambiente de trabalho. Mas também levanta a pergunta sobre o que acontece quando esse animal morre e se o acolhimento vira política pública ou permanece como gesto isolado de servidores.