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Morre Bené do Picolé, ícone de Sete Lagoas, aos 83 anos

Benedito Teixeira de Oliveira, o Bené do Picolé, morreu neste sábado (12), aos 83 anos. Nascido em 12 de setembro de 1943, em Santana, ele se tornou um dos ícones de Sete Lagoas ao vender balas e picolés nas ruas do bairro Boa Vista. A voz marcante e a simpatia no atendimento fizeram dele uma presença reconhecida na cidade.

Bené do Picolé era figura constante no Boa Vista, onde construiu sua trajetória como vendedor ambulante. Mais do que uma atividade comercial, sua presença nas ruas criou vínculo com moradores e frequentadores da região. A notícia de sua morte mobilizou a comunidade local.

O falecimento ocorre em um sábado, data que coincide com o dia de sua morte, mas não com seu nascimento, registrado em 12 de setembro de 1943, em Santana. A informação foi divulgada pelo portal Sete Dias.

A história de Bené do Picolé se confunde com a própria memória do Boa Vista. Em cidades de porte médio como Sete Lagoas, figuras como ele ajudam a compor a identidade dos bairros, funcionando como pontos de referência afetiva para quem circula pelas mesmas ruas ao longo de décadas. Sua atuação como vendedor de balas e picolés, sustentada pela voz e pela simpatia, atravessou gerações de moradores.

A morte de Bené do Picolé reacende a discussão sobre o papel dos vendedores ambulantes no tecido social urbano. Em muitos casos, esses trabalhadores operam sem vínculo formal, enfrentando jornadas extensas e condições variáveis de trabalho. A visibilidade que Bené conquistou em vida contrasta com a invisibilidade estatística típica da categoria, que raramente aparece em levantamentos oficiais de emprego.

A prefeitura de Sete Lagoas não divulgou nota oficial sobre o falecimento até a publicação desta matéria. Também não há informações sobre velório ou sepultamento.

A trajetória de Bené do Picolé ilustra como o comércio ambulante, muitas vezes tratado apenas como questão de fiscalização urbana, envolve relações humanas duradouras. Em cidades onde o transporte público e o comércio formal nem sempre alcançam todos os bairros, o vendedor de rua cumpre função de abastecimento e convivência. No caso do Boa Vista, essa função ganhou rosto e voz.

A comoção pela morte de Bené do Picolé ocorre em um contexto de envelhecimento populacional no Brasil. Dados do IBGE mostram que a proporção de idosos na população cresce de forma consistente, o que amplia a necessidade de políticas públicas voltadas a essa faixa etária. Aos 83 anos, Bené permanecia em atividade, situação comum entre trabalhadores informais que não contam com aposentadoria suficiente para deixar o trabalho.

A discussão sobre apoio a trabalhadores ambulantes idosos segue sem resposta consolidada em muitas prefeituras. Medidas como cadastramento, regularização de pontos fixos e programas de transferência de renda para idosos de baixa renda são apontadas como alternativas, mas a implementação varia conforme a gestão municipal.

história do Boa Vista comércio ambulante em Sete Lagoas

Marília Stefani
Repórter de Segurança Pública
De Betim, cobre segurança pública em MG com dado, contexto e cuidado para não alimentar o pânico.
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