Comunidade

Os laços infinitos que constituí com a escrita: relato

ResumoO relato "Os laços infinitos que constituí com a escrita" documenta a experiência de uma autora com linfoma crônico há quase cinco anos. A autora entrevistou 19 pessoas com doenças linfoproliferativas, criando vínculos profundos com a finitude alheia. A escrita emerge como ferramenta de conexão e elaboração da mortalidade, transformando o convívio com a doença em laços narrativos duradouros.

Há quase cinco anos convivendo com linfoma crônico, a autora entrevistou 19 pessoas com doenças linfoproliferativas e criou laços infinitos com a finitude alheia.

Inácio Bicalho
Inácio Bicalho Repórter de Interior e Agro · 07 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Os laços infinitos que constituí com a escrita: relato

Há quase cinco anos convivendo com um linfoma crônico, a autora Eleonora Cruz Santos transformou a própria finitude em matéria de escrita. Entre julho de 2024 e agosto de 2025, entrevistou 19 pessoas com cânceres hematológicos, grupo de doenças linfoproliferativas, para um livro que nasce da dor e da empatia.

Os laços infinitos que constituí com a escrita começam na aceitação da morte como presença. A autora percebeu que falar abertamente sobre a finitude, de forma fraternal e acolhedora, é o caminho mais suave para vivê-la com consciência e serenidade. Das 19 pessoas ouvidas, 6 já morreram.

Cada relato carrega uma singularidade que desafia qualquer generalização. Uma mulher de 35 anos, com linfoma agressivo, deixou o marido que a espancava mesmo após o diagnóstico, levando o filho de 10 anos para recomeçar o tratamento. Um jovem de 23 anos viveu dois anos em casa de acolhida a mais de 500 km da mãe, e voltou em cuidados paliativos após ter a única droga negada pelo sistema de saúde do estado. Uma médica pediatra, que fazia o mesmo protocolo de quimioterapia da autora, enfrentou dois transplantes de medula em menos de um ano, até a descoberta de um erro laboratorial na biópsia.

A escrita, para a autora, virou exercício de escuta: medos, dores, anseios e desamparos diante do silêncio de amigos e familiares. Acompanhar essas pessoas, diz ela, mostrou como os caminhos podem ser áridos, mas também como há beleza infinita na jornada finita de cada ser. A prima com câncer metastático, o homem de 50 anos que mudou hábitos ao sentir o relógio biológico correr, todos deixaram marcas que sustentam a crença central do texto: conversar sobre a morte é um ato de amor.

As opiniões expressas são de responsabilidade da autora e não refletem o posicionamento do Estado de Minas.

// Leia também

Publicidade