# Jornalista ex-prisioneiro de guerra da Ucrânia revela torturas em prisão russa

> O jornalista e ativista de direitos humanos Maksym Butkevych, ex-prisioneiro de guerra da Ucrânia, revelou à CNN Brasil torturas físicas e psicológicas sofridas em cativeiro russo. Butkevych classificou o processo criminal contra si como uma farsa. A Anistia Internacional denunciou as violações.

*Portal Notícias MG · Comunidade · 23 de julho de 2026 · Cláudia Resende*

O jornalista e ativista de direitos humanos Maksym Butkevych, ex-prisioneiro de guerra da Ucrânia, revela em entrevista à CNN Brasil as torturas físicas e psicológicas sofridas em cativeiro russo, além de um processo criminal que classifica como farsa. A Anistia Internacional den

O jornalista e ativista de direitos humanos Maksym Butkevych, ex-prisioneiro de guerra da Ucrânia, revela em entrevista exclusiva à CNN Brasil as torturas físicas e psicológicas sofridas durante os dois anos e quatro meses em que esteve em cativeiro russo. Butkevych foi um dos primeiros voluntários do Exército ucraniano a ser capturado após a invasão de 2022. Preso na região de Luhansk, no leste da Ucrânia, ele foi levado a julgamento por supostos crimes de guerra cometidos em cidades onde, segundo afirma, nunca pisou.

O jornalista ex-prisioneiro de guerra da Ucrânia foi condenado em março de 2023 a 13 anos de prisão por um tribunal controlado pela Rússia. O governo russo alega que ele admitiu a culpa pelos crimes. A organização Anistia Internacional denunciou o processo como uma farsa e afirmou que o caso se tratava de uma retaliação dos russos contra o ativismo humanitário de Butkevych.

### A fabricação do processo criminal

Butkevych relata que a base de todo o processo era uma confissão obtida sob tortura e pressão psicológica extrema. "Eles me explicaram muito claramente o que aconteceria comigo se eu não assinasse. Eu seria quebrado fisicamente e mentalmente", disse. Segundo ele, os interrogatórios não buscavam informação militar, mas sim destruir o espírito dos prisioneiros.

"Decidiram fabricar um processo criminal contra mim e me condenar como criminoso de guerra por algo que eu jamais fiz, em uma cidade onde eu sequer estive", afirmou o jornalista ex-prisioneiro de guerra da Ucrânia. Para ele, essa seria uma tentativa dos russos de criar uma narrativa para justificar as ações violentas do Kremlin em seu país.

### Tortura física e psicológica sistemática

Os relatos de maus-tratos são constantes. Butkevych descreve interrogatórios acompanhados de espancamentos, ameaças, privação de itens básicos e sessões de exaustão física como parte da rotina dos prisioneiros. "A maioria dos interrogatórios não buscava informação militar. Eles queriam nos quebrar, destruir o nosso espírito", afirmou.

Segundo ele, os prisioneiros eram obrigados a realizar exercícios físicos até a exaustão, sob ameaça de agressões, e viviam em condições precárias, sem itens básicos de higiene, sem roupas adequadas e até sem sapatos. Além da violência física, havia intensa pressão psicológica e ideológica: os prisioneiros eram forçados a ouvir versões distorcidas da história e a repetir discursos de propaganda.

"Nos diziam que a Ucrânia não existia mais, que Kiev havia caído, que éramos um povo só com a Rússia. Era uma tentativa constante de apagar nossa identidade", disse o jornalista ex-prisioneiro de guerra da Ucrânia.

### Uma guerra de valores, não de território

Para Butkevych, essa experiência revelou algo mais profundo sobre a natureza do conflito. "Para os ucranianos, é muito claro que esta não é uma guerra por território. A Rússia não precisa de mais território. Esta é uma guerra de valores, uma guerra de visões de mundo", afirmou.

Segundo ele, o que está em jogo é a tentativa de impor um modelo em que o Estado tem poder absoluto sobre os indivíduos. "Para o governo russo, o Estado é o valor número um. As pessoas não têm poder de decisão. Elas apenas devem obedecer", disse, ao descrever a lógica que, segundo ele, permeia o sistema do Kremlin.

Essa visão contrasta diretamente com a percepção dos ucranianos, mesmo dentro das prisões. "Todos compartilhavam a ideia de que as pessoas têm o poder. Que a dignidade humana deve ser respeitada. Que o Estado deve servir às pessoas, e não o contrário", afirmou.

### Libertação e novo propósito

Butkevych foi libertado em outubro de 2024, em uma troca de prisioneiros de guerra. Após ser libertado, afirma que passou a se dedicar a dar voz aos que continuam presos, inclusive vários que foram capturados junto com ele, há mais de quatro anos. "Há milhares de ucranianos ainda em cativeiro. Eles não podem falar. Então eu tenho que falar por eles", afirmou.

Hoje, ele atua para denunciar as violações de direitos humanos e pressionar por novas trocas de prisioneiros, levando ao mundo relatos do que descreve como um sistema organizado de tortura, coerção e propaganda. Para ele, o conflito na Ucrânia não pode ser compreendido apenas como uma disputa geopolítica. "É uma luta que vai muito além de fronteiras. É uma luta sobre que tipo de mundo queremos viver", concluiu.

O testemunho do jornalista ex-prisioneiro de guerra da Ucrânia reforça denúncias de organizações de direitos humanos sobre o tratamento de prisioneiros de guerra no conflito. A Anistia Internacional já classificou o processo contra Butkevych como uma farsa e um ato de retaliação.

### Perguntas Frequentes

#### Quem é Maksym Butkevych?

Maksym Butkevych é um jornalista e ativista de direitos humanos ucraniano que foi voluntário do Exército ucraniano e feito prisioneiro de guerra pelos russos em 2022.

#### Quanto tempo Butkevych ficou preso?

Ele passou dois anos e quatro meses em cativeiro, até ser libertado em outubro de 2024 em uma troca de prisioneiros de guerra.

#### O que a Anistia Internacional disse sobre o caso?

A Anistia Internacional denunciou o processo como uma farsa e afirmou que se tratava de retaliação dos russos contra o ativismo humanitário de Butkevych.

#### Butkevych foi condenado por quê?

Ele foi condenado a 13 anos de prisão por um tribunal controlado pela Rússia por supostos crimes de guerra, mas afirma que a confissão foi obtida sob tortura e que jamais esteve nas cidades mencionadas.

#### O que Butkevych faz hoje?

Após a libertação, ele se dedica a denunciar violações de direitos humanos e pressionar por novas trocas de prisioneiros, dando voz aos ucranianos que ainda estão em cativeiro.

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