Guardião da Memória de Manhuaçu: quem foi Wagner Orlandi
Wagner Orlandi dos Santos foi uma das personalidades que marcaram a comunicação, a cultura e a vida institucional de Manhuaçu, em Minas Gerais. Jornalista, militar, fotógrafo e memorialista, ele faleceu em 9 de novembro de 2020, aos 89 anos, deixando um acervo documental e um nome ainda preservado por instituições da cidade.
Sua trajetória atravessou a segunda metade do século XX e o início do século XXI. Reuniu imprensa, Polícia Militar, relações públicas, comunicação institucional, fotografia, literatura e preservação histórica, sempre ligada à transformação social e cultural do município.
A chegada a Manhuaçu aconteceu em 1964, quando Wagner Orlandi veio como militar da Polícia Militar de Minas Gerais para os trabalhos de implantação do 11º Batalhão da Polícia Militar, o 11º BPM. Alcançou a graduação de sargento e depois passou à reserva. Registros da Academia Manhuaçuense de Letras também relacionam sua trajetória militar às operações no contexto da Guerrilha do Caparaó, na década de 1960, referência que deve ser lida como atividade de sargento da corporação, não como participação no movimento guerrilheiro. Décadas após sua morte, o nome dele segue associado ao 11º BPM, que mantém uma Sala de Imprensa Wagner Orlandi dos Santos, usada inclusive em solenidades oficiais.
Do serviço militar ao jornalismo regional
A partir da década de 1970, Wagner Orlandi ampliou a participação na vida manhuaçuense e se aproximou da imprensa. Documentos históricos confirmam sua atuação como repórter do jornal Tribuna do Leste, publicação mantida pelo então Fundo de Expansão Cultural de Manhuaçu e dirigida pelo Padre Júlio Pessoa Franco. Expedientes do início da década de 1980 registram seu nome na equipe de reportagens.
A parceria com o Padre Júlio Pessoa Franco foi decisiva. Wagner permaneceu ligado ao Tribuna do Leste por aproximadamente três décadas e fez cobertura de acontecimentos políticos e eleitorais. Em 1982, o periódico o registrava como responsável pela cobertura das apurações eleitorais em Manhuaçu.
Ele também empreendeu na imprensa. Foi responsável pelo Manhuaçu Jornal, veículo criado para ampliar o acesso da população à informação local. Há registro empresarial em seu nome associado à denominação Manhuaçu Jornal, com atividade aberta em 22 de junho de 1977.
Comunicação institucional e preservação da memória
Wagner integrou a Assessoria de Comunicação da Prefeitura Municipal de Manhuaçu e da Câmara Municipal, além de prestar serviços a órgãos e entidades da região. Registros do início da década de 1980 o identificam como profissional de Relações Públicas da Prefeitura. Na época, recebeu manifestação de reconhecimento da Delegacia Regional de Ensino e da Casa de Cultura pelo atendimento ao público e pelo trabalho com fotografias.
A fotografia, para ele, estava ligada ao jornalismo e à preservação da história. Ao registrar pessoas, autoridades, instituições e transformações urbanas, suas imagens ganharam valor documental. Na fase madura da vida, formou e conservou acervo de fotografias, documentos e registros jornalísticos, além de materiais da Fundação Manhuaçuense de Cultura. Relatos das filhas após sua morte citam os registros fotográficos e as antigas máquinas usadas no trabalho, guardados no arquivo familiar.
Em 1979, o então comandante do 11º BPM, Tenente-Coronel Fábio do Patrocínio, confiou a Wagner a tarefa de colaborar na criação de uma estrutura cultural para Manhuaçu. Ele aceitou o desafio e trabalhou no projeto que culminou, em 1981, na criação da Casa de Cultura e da Fundação Manhuaçuense de Cultura, tendo como primeira presidente a professora Ilza Campos Sad.
A ligação com a Casa de Cultura foi tão duradoura que, após sua morte, aquele universo cultural continuou associado à sua memória. Para quem acompanha a economia regional, o legado de Wagner Orlandi ajuda a explicar por que Manhuaçu mantém instituições culturais e arquivos históricos ativos, base para iniciativas que geram renda em serviços, turismo e educação. A tendência, nos próximos anos, é que esse acervo siga sendo consultado por pesquisadores e moradores.