Geração Z prioriza casa e estabilidade antes de família
Estabilidade financeira e casa própria são prioridades para a Geração Z no Brasil, antes de casamento e filhos. Pesquisa Ipsos ouviu 22 mil pessoas em 30 países e mostra que 67% dos brasileiros desejam ter imóvel, acima da média global.
A Geração Z brasileira inverteu a ordem tradicional de conquistas: primeiro a casa própria e a estabilidade financeira, depois o casamento e os filhos. Pesquisa "Life Aspirations 2026", da Ipsos, realizada em 30 países com 22 mil pessoas, mostra que 67% dos brasileiros desejam ter uma casa própria, percentual acima da média global. O dado reflete uma geração que não abandonou o sonho de formar família, mas que vê as condições econômicas como obstáculo.
A conquista de um emprego estável também aparece como sinal de sucesso para 66% dos entrevistados no Brasil, praticamente empatado com a média dos demais países, de 65%. Os marcos familiares tradicionais ficam em segundo plano: ter filhos é prioridade para 23% dos brasileiros, enquanto o casamento é citado por 25%. O medo de não conseguir comprar um imóvel é expressivo: 58% dos brasileiros ficariam muito ou um pouco tristes se não adquirissem uma propriedade.
O estudo revela ainda diferenças de gênero. Homens estão mais propensos que mulheres a considerar casamento e filhos como sinais de vida bem-sucedida. No Brasil, a diferença é de 8 pontos percentuais para o casamento e 7 pontos para ter filhos.
Carolina Albarelli Vilela, de 28 anos, moradora de São Paulo, ilustra o dilema. Após o término de um relacionamento, cogitou voltar a morar com a mãe para usar o dinheiro do aluguel em um financiamento ou consórcio. "Depois que a gente mora sozinho e cria a nossa rotina é difícil voltar. Então decidi continuar no aluguel e mudar meu esquema de economias e investimentos para comprar um apartamento em 2030", conta.
Para Lucymara Andrade, diretora de pesquisas da Ipsos, os dados desafiam a ideia de que os jovens abandonaram valores tradicionais. "O que vemos é exatamente o contrário: casa própria, estabilidade profissional e constituição de família continuam sendo referências importantes de sucesso. A diferença é que as novas gerações enxergam esses objetivos como mais difíceis de alcançar", afirma.
Os números reforçam a segurança econômica como prioridade entre os jovens brasileiros, uma tendência que deve se manter nos próximos meses, com impacto direto no mercado imobiliário e no planejamento familiar.