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Geração Z no mercado: de novata a líder

A geração Z deixou de ser a geração que acabou de chegar ao mercado de trabalho. Quem começou como estagiário já pode ser especialista, quem ocupava posição júnior começa a coordenar projetos e quem conhecia sua primeira liderança agora se prepara para liderar outras pessoas. Os representantes mais velhos dessa geração já estão na casa dos 30 anos, dependendo do recorte adotado.

No Brasil, esse movimento aparece nos números. Segundo o Índice de Confiança do Trabalhador, do LinkedIn, 58% dos profissionais brasileiros da geração Z querem se tornar líderes nos próximos anos.

A pesquisa Gen Z and Millennial Survey 2026, da Deloitte, ouviu 804 brasileiros, sendo 501 da geração Z. Entre esses profissionais, 69% demonstram interesse em assumir um cargo de liderança em algum momento da carreira. Ao mesmo tempo, apenas 6% apontam chegar à liderança como sua principal prioridade profissional.

A leitura mais direta é que a ideia de crescimento ficou mais ampla. É possível querer liderar sem enxergar o cargo como principal medida de sucesso. Autonomia conquistada, conhecimento acumulado, complexidade dos problemas que se consegue resolver e capacidade de ajudar outras pessoas a crescer passam a contar tanto quanto o degrau alcançado.

O que muda quando a geração Z lidera

Não existe um estilo de gestão determinado pela data de nascimento. Mas cada geração constrói sua carreira dentro de um contexto. A geração Z começou a trabalhar em um período no qual saúde mental, diversidade, flexibilidade, propósito, tecnologia e feedback já faziam parte das discussões profissionais. Essas referências podem acompanhar quem assume uma equipe.

Quem experimentou modelos flexíveis desde cedo pode ter mais facilidade para pensar em autonomia. Quem construiu a carreira em ambientes nos quais diversidade e saúde mental já eram discutidas pode tratar esses temas com mais naturalidade na gestão. Liderar continua sendo uma competência que precisa ser desenvolvida, e isso vale para qualquer geração.

A troca entre gerações dentro das empresas

A Pesquisa de Diversidade Geracional 2024, realizada pela PwC Brasil em parceria com a FGV EAESP, mostra que 95% dos participantes reconhecem benefícios na convivência entre diferentes gerações dentro das empresas.

Aos poucos, uma nova geração começará a viver suas primeiras experiências profissionais. Muitos integrantes da geração Z estarão, pela primeira vez, na posição de receber colegas mais jovens. Quem passou anos pedindo que as empresas compreendessem novas formas de pensar poderá levar essa abertura para quem chega depois.

Durante anos, perguntamos o que a geração Z queria encontrar nas empresas. Agora começa a ficar mais interessante observar o que esses profissionais ajudam a construir quando ocupam posições de maior influência. O mercado não se renova quando uma geração substitui outra. Ele evolui quando novas referências encontram a experiência de quem veio antes.

Inácio Bicalho
Repórter de Interior e Agro
Do Norte de Minas, cobre o sertão mineiro, a seca, o pequeno produtor e as pautas que a capital ignora.
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