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Geada vira desafio para viticultores do Rio Grande do Sul

ResumoA geada nas serras do Rio Grande do Sul impõe desafios aos viticultores de uvas finas. Sistemas anti-geada e aspersão de água protegem os brotos vulneráveis. O método de aspersão cria uma camada de gelo que isola os tecidos vegetais do frio extremo. A adoção dessas técnicas reduz perdas na safra, mas exige investimento e monitoramento constante das condições climáticas.

Produtores de uvas finas no Rio Grande do Sul lutam contra a geada nas serras. Sistemas anti-geadas e aspersão protegem os brotos. Veja os métodos usados.

Inácio Bicalho
Inácio Bicalho Repórter de Interior e Agro · 27 de agosto de 2026 · 2 min de leitura
Geada vira desafio para viticultores do Rio Grande do Sul

Produtores de uvas finas no Rio Grande do Sul têm lutado contra as baixas temperaturas e a formação de geada nas regiões serranas nos últimos dias. Como recurso, os viticultores têm acionado sistemas anti-geadas para impedir o congelamento dos brotos que ainda estão evoluindo. O cuidado maior é com as variedades brancas, mais sensíveis às intempéries climáticas do momento.

Na vinícola AlmaÚnica, no Vale dos Vinhedos, tratores trabalharam durante duas madrugadas aspergindo água em meio às videiras. Segundo a enóloga Denise Brandelli, uma película de água é formada ao redor do broto e, por consequência, há a formação de gelo na parte exterior dos frutos. O resultado é uma camada protetora que impede a mudança de temperatura no centro da fruta e mantém as características almejadas para o momento. A medida precisa ser feita de forma contínua, principalmente nos momentos de menor temperatura registrada, ou seja, durante as madrugadas.

Um outro método bastante utilizado em anos anteriores era a instalação de superfícies de calor embaixo das plantas. Os vinhedos "eram coloridos" com tochas de fogo e controladas pelos engenheiros agrônomos. No entanto, por ser uma pequena área de calor, o recurso tem caído em desuso, principalmente na França.

Em Monte Belo do Sul, a vinícola Casa Marques Pereira afirma ter utilizado pela segunda vez o seu sistema de aspersão automatizado. Instalado em 2024, os vinhedos também foram atingidos pela geada, já que estão em uma altitude de cerca de 560 metros. Para o vinhateiro e empresário Felipe Marques Pereira, os aspersores fazem uma "névoa de água com gotículas bem finas. Aí, quando essas gotículas chegam na gema, formam algo similar a um 'iglu' que protege a gema das videiras de queimar".

A vinícola é conhecida por produzir cepas não muito comuns no terroir brasileiro, como Nebbiolo, Marzemino e Alvarinho, por isso, o cuidado se torna essencial para o ciclo vegetativo e fenólico estar perfeito no momento da vindima, no próximo verão. safra de uvas no RS

A seca e a geada não são novidade para quem vive da terra no Sul. Cada safra traz um desafio, e a resposta vem na forma de tecnologia e trabalho nas madrugadas. O que os viticultores esperam é que a proteção garanta a qualidade dos frutos até a colheita, mantendo viva a tradição das uvas finas na serra gaúcha.

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