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Flávio Bolsonaro vira investigado do 'Dark Horse'

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), desde julho, por sua atuação no financiamento do "Dark Horse", filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) bancado, em grande parte, pelo ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

A informação veio à tona com a quebra do sigilo dos autos de 15 procedimentos relacionados ao caso Master, determinada pelo ministro André Mendonça, relator do caso, a pedido do presidente da Corte, ministro Edson Fachin. No despacho, Mendonça afirma que promoveu o levantamento do sigilo "em harmonia à solicitação" de Fachin.

O inquérito do "Dark Horse", porém, segue sob sigilo por estar em caráter preparatório para eventuais diligências investigativas. Os procedimentos que se tornaram públicos foram aqueles em que já foram autorizadas e concretizadas outras ações, como prisões e cumprimento de buscas e apreensões.

Quem mais é investigado no caso

No inquérito, também são investigados o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mário Frias (PL-SP). Com a abertura do procedimento, a Polícia Federal (PF) ficou autorizada a apurar suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.

O entendimento da PF é que Flávio não apenas foi citado por outros envolvidos no financiamento do longa, como também foi atuante em cobranças diretas a Vorcaro. Em maio, o site The Intercept Brasil divulgou áudios em que o presidenciável cobrou R$ 134 milhões do banqueiro para o custeamento do longa.

Um contrato encontrado no telefone celular comprova esse valor: o pagamento seria feito em 14 parcelas de U$ 24 milhões, na cotação da época, com o dinheiro saindo do fundo Heavensgate. Deste total, o empresário admitiu, em proposta de delação premiada, ter feito repasses que totalizaram R$ 61 milhões.

Braço da investigação sobre outros políticos não veio a público

Neste contexto, o braço das investigações que apura a atuação de outros políticos no filme, como os senadores Jaques Wagner (PT-BA) e Ciro Nogueira (PP-PI), não veio a público.

A leitura dos autos exige cuidado: a existência de investigação não equivale a condenação, e o próprio sigilo do inquérito limita o que se pode afirmar sobre o alcance das apurações. A medida de política pública em discussão é o equilíbrio entre transparência processual e preservação de diligências em curso, tema que o STF sinalizou ao liberar parte dos procedimentos e manter o restante sob reserva.

Marília Stefani
Repórter de Segurança Pública
De Betim, cobre segurança pública em MG com dado, contexto e cuidado para não alimentar o pânico.
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