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Pomar com 100 árvores: idoso planta na Via São Pedro e inspira cidade

ResumoJosé Correia, de 78 anos, mantém um pomar com mais de cem árvores frutíferas na Via São Pedro, em Juiz de Fora, há seis anos. A ação voluntária do idoso inspirou a cidade e gerou debate público sobre arborização urbana. O plantio transformou o trecho em área verde produtiva, com destaque nas redes sociais.

Há seis anos, José Correia, de 78 anos, transformou um trecho da Via São Pedro em um pomar com mais de cem árvores frutíferas. A iniciativa voluntária chamou atenção nas redes e abriu debate sobre arborização urbana em Juiz de Fora.

Marília Stefani
Marília Stefani Repórter de Segurança Pública · 07 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
Pomar com 100 árvores: idoso planta na Via São Pedro e inspira cidade

Aos 78 anos, José Correia percorre de bicicleta o caminho até a Via São Pedro, na Cidade Alta, para cuidar de um pomar que começou a cultivar há cerca de seis anos. No local, às margens da via, estão mais de cem árvores plantadas por ele, todas espécies frutíferas. A iniciativa ganhou visibilidade nas redes sociais depois que a bióloga Júlia Firjam, que atua com educação ambiental e desenvolve projeto de agrofloresta, gravou e publicou um vídeo sobre o plantio e os cuidados feitos por ele.

José conta que começou a plantar ao perceber pouca presença de pássaros e outros animais no trecho. "Eu comecei a plantar porque não tinha muito passarinho aqui. Os bichos não tinham onde comer. Aí comecei a plantar as árvores frutíferas para ter fruta para eles também", compartilha. Mangueiras, abacateiros, goiabeiras e aceroleiras fazem parte do pomar. Só de mangueiras, José diz ter plantado 52. Algumas árvores ainda são pequenas; outras já cresceram o suficiente para produzir frutos e formar sombra.

A rotina de cuidados inclui capina e roçada ao redor das plantas. José também deixa parte do material retirado próximo às árvores, onde, segundo ele, o mato se decompõe e serve como adubo orgânico. "Eu boto o mato em volta aqui. Fica fresco. Apodrece o mato e vira esterco de adubo orgânico", explica. Ao longo dos anos, ele passou a observar a presença de mais pássaros na área, como baitacas e outras aves, além de patos.

Para José, as frutas também podem ser aproveitadas pelas pessoas que passam pelo local, já que é um espaço de lazer e atividade física para muitos juizforanos. Ele defende que os frutos sejam retirados no momento certo e sem danificar as plantas. "Tudo tem seu tempo", afirma. Apesar de ter plantado e cuidar das árvores, ele reconhece que a área não é uma propriedade particular. "É meu e não é, né? É da população", diz.

A manutenção não é diária. Consultas médicas e outras limitações fazem com que José não consiga ir ao pomar todos os dias, mas ele afirma que procura estar no local semanalmente. "Toda vez que posso, eu tô aqui", afirma. Ele diz que gosta de acompanhar o crescimento das plantas: "Às vezes a gente fica em casa reclamando com a mulher: 'ah, tá me doendo o joelho, tá me doendo a coluna'. Não, eu venho pra cá porque aqui não reclamo com ninguém".

A iniciativa de José também chama atenção para uma questão mais ampla: como moradores podem participar da arborização de espaços públicos em Juiz de Fora. O pomar está localizado em uma área pública e foi formado por iniciativa do próprio morador. A legislação municipal estabelece critérios técnicos para o plantio e a manutenção de árvores em áreas públicas e atribui ao Município a responsabilidade na gestão da arborização urbana. A Política Municipal de Arborização Urbana prevê a participação da população em ações de preservação e manutenção das árvores da cidade.

A reportagem procurou a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) para comentar a iniciativa e esclarecer as regras para o plantio em áreas públicas. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas disse que reconhece e valoriza a iniciativa voluntária do José, "que demonstra cuidado com o meio ambiente e com a cidade". Para novas iniciativas como essa, a orientação é procurar previamente a secretaria, para que a equipe possa avaliar o local, indicar as espécies mais adequadas e evitar interferências com redes de drenagem, água, energia elétrica e outras estruturas.

O caso de José Correia ilustra como a ação individual pode transformar um espaço público e inspirar políticas de arborização. A Prefeitura reforça que o plantio de árvores contribui para ampliar as áreas verdes, melhorar o conforto térmico, a paisagem e a qualidade ambiental da região. Enquanto isso, José continua plantando e cuidando das árvores, com a certeza de que seu trabalho é para o futuro. "Eu plantei, mas é para o futuro", finaliza.

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