# Estudante criou próteses para irmã usar lanterna, pincéis e cartas de UNO

> O estudante de engenharia de Contagem (MG) desenvolveu próteses funcionais para a irmã, que perdeu os dedos das mãos. As peças permitem segurar lanterna, pincéis e cartas de UNO. A história viralizou e reacendeu o debate sobre acesso a tecnologias assistivas no Brasil.

*Portal Notícias MG · Comunidade · 17 de julho de 2026 · Marília Stefani*

Em Contagem (MG), um estudante de engenharia criou próteses funcionais para a irmã, que perdeu os dedos das mãos. As peças permitem que ela segure lanterna, pincéis e até cartas de UNO. A história viralizou e reacendeu o debate sobre acesso a tecnologias assistivas no Brasil.

Um estudante de engenharia de Contagem (MG) desenvolveu próteses caseiras para a irmã, que perdeu os dedos das mãos. As peças, feitas com impressão 3D, permitem que ela segure objetos como lanterna, pincéis de maquiagem e cartas de UNO. O caso ganhou repercussão nacional.

A história, que viralizou nas redes sociais, reacendeu o debate sobre o acesso a tecnologias assistivas no Brasil. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 18,6 milhões de brasileiros com 2 anos ou mais têm deficiência física (IBGE, PNS 2019). Desses, muitos dependem de próteses ou órteses para realizar tarefas cotidianas.

## Como surgiu a ideia das próteses

O jovem, identificado como Lucas, contou em entrevistas que a irmã, de 9 anos, perdeu os dedos das mãos após uma infecção hospitalar quando bebê. Desde então, ela enfrentava dificuldades para segurar objetos pequenos ou realizar atividades manuais.

Lucas, que cursa engenharia mecânica, decidiu usar o conhecimento adquirido na faculdade para criar soluções. Ele projetou e imprimiu em 3D adaptações que se encaixam no coto da mão da irmã. Cada peça foi desenhada para uma função específica: uma para segurar a lanterna, outra para pincéis, e uma terceira para cartas de baralho.

"Ela sempre pedia ajuda para segurar a lanterna quando lia histórias em quadrinhos. Foi aí que pensei em fazer algo que desse mais independência a ela", relatou o estudante em postagem que viralizou.

## O processo de criação: da impressão 3D aos testes

A produção das próteses seguiu etapas que combinam design paramétrico e impressão aditiva. Lucas utilizou filamento PLA, material biodegradável de baixo custo, e modelos abertos disponíveis em comunidades online de tecnologia assistiva.

- Digitalização: moldes da mão da irmã foram escaneados com aplicativo de celular.
- Modelagem: softwares gratuitos permitiram ajustar encaixes e ângulos.
- Impressão: cada peça levou entre 4 e 8 horas para ficar pronta.
- Testes: a irmã experimentou as próteses e sugeriu ajustes de espessura e textura.

O custo total do projeto foi de aproximadamente R$ 50, valor referente ao filamento usado. Em comparação, próteses mioelétricas comerciais podem custar entre R$ 10 mil e R$ 50 mil no mercado brasileiro (dados de associações de ortopedia técnica).

## Impacto na vida da família e repercussão

Desde que passou a usar as próteses, a irmã de Lucas consegue realizar atividades que antes dependiam de ajuda. Ela agora participa de jogos de cartas com a família, faz trabalhos escolares com mais autonomia e até se maquia sozinha.

A mãe das crianças, em entrevista a um portal local, disse: "Ver ela conseguindo segurar as cartas de UNO e rindo junto com a gente foi emocionante. O Lucas não só criou próteses, devolveu a autoestima dela".

A história foi compartilhada por milhares de pessoas e repercutiu em veículos de imprensa nacional. Especialistas em tecnologia assistiva ouvidos pela reportagem destacaram que o caso exemplifica como a democratização da impressão 3D pode reduzir barreiras de acesso.

## Tecnologia assistiva no Brasil: desafios e avanços

O Brasil conta com políticas públicas para distribuição de órteses e próteses pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas a demanda ainda supera a oferta. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2023 foram realizadas cerca de 420 mil dispensações de órteses, próteses e materiais especiais (OPM).

No entanto, o acesso a tecnologias personalizadas, como as próteses de Lucas, ainda é restrito. A impressão 3D tem surgido como alternativa em iniciativas de universidades e ONGs, como o projeto "Mãos Amigas" da USP e o "Próteses para Todos" da UFMG.

"O custo baixo e a possibilidade de customização fazem da impressão 3D uma ferramenta promissora, especialmente para crianças, que precisam de trocas frequentes de próteses conforme crescem", explica a engenheira biomédica Ana Paula Silva, pesquisadora da UFMG.

## O futuro do projeto

Lucas afirma que pretende continuar desenvolvendo novos modelos de próteses para a irmã e disponibilizar os arquivos gratuitamente na internet. Ele já foi procurado por outras famílias interessadas no projeto.

"Quero que outras pessoas possam baixar e imprimir essas peças. O conhecimento precisa ser compartilhado", disse.

A iniciativa também chamou a atenção de uma startup de tecnologia assistiva, que ofereceu mentoria para transformar o projeto em um produto escalável. A família avalia a proposta, mas mantém o foco na independência da irmã.

## Perguntas Frequentes

### Como as próteses foram feitas?

Foram projetadas em software de modelagem 3D e impressas em filamento PLA, material biodegradável. O custo foi de cerca de R$ 50.

### Quanto tempo levou para criar cada prótese?

Cada peça levou entre 4 e 8 horas de impressão, além do tempo de modelagem e ajustes.

### A irmã pode usar as próteses o dia todo?

Sim, as peças são leves e confortáveis. A irmã usa conforme a necessidade para atividades específicas.

### Onde encontrar os arquivos para imprimir?

Lucas pretende disponibilizar os arquivos gratuitamente em repositórios online de código aberto.

### O SUS fornece próteses como essas?

O SUS fornece próteses padronizadas, mas modelos personalizados como esses ainda não são cobertos pela rede pública.

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Fonte (canonical): https://portalnoticiasmg.com.br/comunidade/estudante-criou-proteses-irma-usar-lanterna-pinceis-cartas-uno/
